{"id":441,"date":"2025-05-21T21:04:50","date_gmt":"2025-05-22T00:04:50","guid":{"rendered":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=441"},"modified":"2025-09-11T10:50:11","modified_gmt":"2025-09-11T13:50:11","slug":"gt26-periferalidades-e-subalternidades-na-producao-do-conhecimento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=441","title":{"rendered":"GT26 &#8211; \u201cPeriferalidades\u201d e subalternidades na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> O presente Grupo Tem\u00e1tico visa discutir trabalhos que tratem de constru\u00e7\u00f5es de conhecimento em seus v\u00e1rios sentidos: emp\u00edrico, te\u00f3rico, epistemol\u00f3gicos, oriundos de lugares, espa\u00e7os e pr\u00e1ticas supostamente \u201cperif\u00e9ricas\u201d e\/ou subalternizadas. A partir dos estudos sociais da ci\u00eancia e da tecnologia, propomos discutir as dire\u00e7\u00f5es e interesses de pesquisa que se t\u00eam voltado para os poss\u00edveis ou imposs\u00edveis di\u00e1logos nas \u201cperiferias\u201d da ci\u00eancia e da tecnologia, n\u00e3o pela \u00eanfase em seu suposto atraso ou descompasso em rela\u00e7\u00e3o ao \u201ccentro\u201d, mas sim por seu conte\u00fado original e espec\u00edfico. Propomos neste GT discutir tais quest\u00f5es com \u00eanfase nos seguintes temas: 1) ci\u00eancias e tecnologias produzidas em contextos tidos como perif\u00e9ricos, na Am\u00e9rica Latina e Caribe e em outras partes do sul global; 2) desenvolvimento das ci\u00eancias nacionais concomitantemente \u00e0 expans\u00e3o dos colonialismos internos ao Brasil e outros; 3) engajamentos com teoria cr\u00edtica, feminista e p\u00f3s-colonial; 4) ra\u00edzes n\u00e3o-ocidentais da ci\u00eancia e tecnologia, tendo em vista no\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o de conhecimento, por meio de trocas entre Europa e civiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-ocidentais como o Isl\u00e3, China, \u00cdndia, \u00c1frica e alhures; 5) rela\u00e7\u00f5es estreitas entre o desenvolvimento da tecnoci\u00eancia ocidental e a expans\u00e3o hist\u00f3rica, colonial e ou imperial euro-americana; 6) conflitos entre a autoridade especializada do conhecimento cient\u00edfico e a autoridade de um conhecimento n\u00e3o-especializado, popular ou leigo, que os cientistas classificam como \u201cmera cren\u00e7a\u201d; 6) \u2018provincializa\u00e7\u00e3o\u2019 das teorias e epistemologias dos Estudos CTS hegem\u00f4nicos a partir de releituras de teorias e autores can\u00f4nicos tendo em vista experi\u00eancias perif\u00e9ricas; 7) hierarquias epist\u00eamicas, expressas em termos cognitivos e epistemol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m em termos de ra\u00e7a, g\u00eanero e nacionalidade; 8) finalmente, o estatuto epist\u00eamico da p\u00f3s-verdade, suas formas de constru\u00e7\u00e3o, seus agenciamentos e a influ\u00eancia na pr\u00f3pria ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadores:<\/strong> M\u00e1rcia Regina Barros da Silva (Universidade de S\u00e2o Paulo), Fabr\u00edcio Monteiro Neves (UNB), Ivan da Costa Marques (Universidade Federal do Rio de Janeiro)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 01 <\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 309 (3o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Espa\u00e7o Cultural Coisas de Negro: lugar sociabilidades, constru\u00e7\u00f5es de viv\u00eancias e identidades na periferia Icoaraci- Bel\u00e9m\/PA<\/strong> &#8211; Talita de Oliveira Mendes&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa busca pensar o Espa\u00e7o Cultural Coisas de Negro conhecido como &#8220;o templo do carimb\u00f3&#8221; que est\u00e1 localizado dentro da periferia de Icoaraci\/Bel\u00e9m-PA como espa\u00e7o vivo e importante. E resiste com mais de vinte anos de funcionamento na busca de salvaguardar as manifesta\u00e7\u00f5es culturais popular e do carimb\u00f3. Desta maneira, desejo explanar no decorrer da pesquisa a import\u00e2ncia do Espa\u00e7o Cultural Coisas de Negro como lugar de resgate de uma hist\u00f3ria que se constr\u00f3i identidades, assim como tamb\u00e9m \u00e9 o ponto de partida que possibilita pensar na periferia de Icoaraci como passo de resist\u00eancia que tem em suas bases na cultura popular afro amaz\u00f4nica, percebendo o espa\u00e7o como um coletivo dotado de autonomia em sua organiza\u00e7\u00e3o que apresenta caracter\u00edsticas culturais espec\u00edficas em seus saberes, pr\u00e1ticas e referenciais ancestrais comuns. E isto \u00e9 percept\u00edvel no local em muitas maneiras, principalmente nas can\u00e7\u00f5es das letras nas rodas de carimb\u00f3, na percep\u00e7\u00e3o visual do espa\u00e7o, nos instrumentos utilizados e produzidos no local e afins.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Constru\u00e7\u00f5es de conhecimento e negritude na Am\u00e9rica Latina<\/strong> &#8211; Mayara Feitosa Teodoro&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Neste trabalho, elaborado durante a disciplina Teoria Antropol\u00f3gica III do PPGSA, no qual, busco discutir as produ\u00e7\u00f5es intelectuais de mulheres latino-americanas e de intelectuais negros que refletem sobre a negritude a partir de contextos perif\u00e9ricos. Alinhado \u00e0s diretrizes do Grupo Tem\u00e1tico, o trabalho enfatiza a relev\u00e2ncia de conhecimentos frequentemente marginalizados e aborda como tais saberes desafiam as hierarquias epist\u00eamicas, bem como, contribuem para uma compreens\u00e3o mais ampla da ci\u00eancia e da tecnologia. A pesquisa se fundamenta em refer\u00eancias cr\u00edticas, como \u201cDiscurso sobre o Colonialismo\u201d de Aim\u00e9 C\u00e9saire, que serve como ponto de partida para uma an\u00e1lise feminista latino-americana descolonial, conforme discutido em Vagoya e Facundo (2021). Outras vozes, como a de Myriam Mo\u00efse, que prop\u00f5e uma nova genealogia da n\u00e9gritude, e L\u00e9lia Gonzalez, que defende um feminismo afrolatinoamericano e a categoria pol\u00edtico-cultural da Amefricanidade, s\u00e3o integradas ao debate. Essas obras nos mostram como as experi\u00eancias de mulheres negras na Am\u00e9rica Latina informam suas teorias, e oferecem vis\u00f5es originais que dialogam com as tradi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas da teoria feminista e p\u00f3s-colonial. Com isso, o artigo reconhece as experi\u00eancias e saberes latino-americanos e afro-americanos como essenciais para a constru\u00e7\u00e3o de um conhecimento verdadeiramente plural. \u00c9 uma contribui\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de uma epistemologia que respeite as especificidades locais e as lutas por equidade no acesso ao saber.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Descoloniza\u00e7\u00e3o do saber: O enredo da Grande Rio (2025) como ferramenta de fortalecimento e aprendizagem sociol\u00f3gica dos saberes afro-ind\u00edgenas presentes na Amaz\u00f4nia Paraense<\/strong> &#8211; Nathalia do Socorro Ferreira Marques&nbsp;(UFPA),&nbsp;Vergas Vit\u00f3ria Andrade da Silva&nbsp;(UFPA),&nbsp;Evelyn Caroline Cunha de Souza&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>O respectivo trabalho busca explorar, analisar e expor como o enredo apresentado pela escola de samba acad\u00eamicos do Grande Rio em 2025 se revelou uma ferramenta positiva na propaga\u00e7\u00e3o dos saberes amaz\u00f4nicos, em dimens\u00f5es regional, nacional e internacional, tendo como enfoque principal a hist\u00f3ria das tr\u00eas Princesas Turcas: Herondina, Mariana e Jarina. Ademais, a pesquisa busca discorrer sobre a g\u00eanese das pr\u00e1ticas de subalterniza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas e negros na sociedade brasileira, o papel das escolas de samba no resgate identit\u00e1rio e na luta contra o racismo epistemol\u00f3gico (Grosfoguel, 2007) no Brasil e na pr\u00f3pria regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m \u2013 Par\u00e1, onde tais pr\u00e1ticas atingem e deslegitimam saberes tradicionais da religiosidade afro-ind\u00edgena presente no territ\u00f3rio amaz\u00f4nico, envolvendo elementos e cren\u00e7as, especificamente no Par\u00e1. Abordaremos os elementos apresentados e o potencial pedag\u00f3gico do desfile, destacando a m\u00fasica, sonoridade, vestimentas, acess\u00f3rios e alegorias como ferramentas de aprendizagem s\u00f3cio-amaz\u00f4nica. Desse modo, o estudo aponta a necessidade de assumir o papel da interculturalidade como perspectiva atual de valoriza\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas formas de saber, possibilitando o reconhecimento de outros sistemas culturais, para al\u00e9m de toda a hierarquiza\u00e7\u00e3o, em um contexto de complementaridade capaz de construir um di\u00e1logo que abranja o eixo amaz\u00f4nico do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Vencendo a periferiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a colonialidade: possibilidades futuras<\/strong> &#8211; Jo\u00e3o S\u00e9rgio dos Santos Assis&nbsp;(UFRJ)<\/p>\n\n\n\n<p>Na metade da d\u00e9cada de 1980, o Brasil passou por um momento especial em sua hist\u00f3ria. Em face da descoberta de petr\u00f3leo numa regi\u00e3o inacess\u00edvel para a tecnologia da \u00e9poca, criou-se o dilema de continuar sendo um importador de petr\u00f3leo ou enfrentar o desafio de desenvolver tecnologia em um pa\u00eds perif\u00e9rico. No meu trabalho realizado entre 2016 e 2020 demonstrei que o pa\u00eds teve outras oportunidades de se industrializar quando, por algum motivo, a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia entre a periferia e o centro foi dificultada. Quando essas dificuldades acabam e a rela\u00e7\u00e3o se reestabelece, pouco a pouco centro e periferia v\u00e3o voltando a seus pap\u00e9is de fornecedor de produtos industrializados (centro) e mat\u00e9rias primas (periferia). Ap\u00f3s esse \u00faltimo momento de desenvolvimento perif\u00e9rico, por\u00e9m, diversas mudan\u00e7as v\u00eam ocorrendo que podem levar a uma quebra definitiva desse ciclo. O constante crescimento econ\u00f4mico da China, o crescimento do bloco dos BRICS (que tem o Brasil como um dos membros fundadores), a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos multilaterais independentes dos chamados pa\u00edses desenvolvidos, o enfraquecimento do d\u00f3lar como moeda de com\u00e9rcio internacional, entre outros acontecimentos, est\u00e3o criando as condi\u00e7\u00f5es para que o Brasil possa entrar num novo ciclo de desenvolvimento. Pretendo neste texto atualizar as considera\u00e7\u00f5es finais de meus trabalhos anteriores em fun\u00e7\u00e3o das grandes mudan\u00e7as que v\u00eam ocorrendo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>18\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 02 <\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 309 (3o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>ALUMNOS FRACOS\u2026 Paul Le Cointe, ci\u00eancia desembarcada e as assimetrias na periferia da modernidade.<\/strong> &#8211; Jorge Ricardo Coutinho Machado&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1920 foi criada uma escola de qu\u00edmica industrial em Bel\u00e9m do Par\u00e1, por uma associa\u00e7\u00e3o entre comerciantes locais, a\u00e7\u00f5es do governo federal, natureza amaz\u00f4nica, estudantes paraenses e o franc\u00eas Paul Le Cointe, cientista interessado em estudar os produtos naturais da regi\u00e3o. Os par\u00e2metros que conduziam o agenciamento desses atores em torno da Escola de Chimica Industrial estavam relacionados ao \u201cdesembarque\u201d da qu\u00edmica na regi\u00e3o pelos cientistas da escola, capitaneados por Le Cointe, tido ent\u00e3o como promessa de retorno de lucros para os comerciantes, \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d da ind\u00fastria de Bel\u00e9m e educa\u00e7\u00e3o dos locais, na perspectiva de retir\u00e1-los da \u201cignor\u00e2ncia\u201d, transformar o silv\u00edcola em agricultor e ministrar \u201cconhecimento exacto\u201d capaz de racionalizar as pr\u00e1ticas de aproveitamento dos recursos naturais locais, as \u201cplantas \u00fateis\u201d. Nota-se no discurso de Le Cointe e de seus aliados a perspectiva euroc\u00eantrica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como aquele \u201cconhecimento superior\u201d e civilizat\u00f3rio seria recebido pelos locais, alunos (segundo ele) sem a mais elementar forma\u00e7\u00e3o que os capacitasse a cursar a escola, \u201calumnos fracos\u201d. Tem-se, assim, o conhecimento e as pr\u00e1ticas locais subalternizados diante da ci\u00eancia e da racionalidade em desembarque na regi\u00e3o, \u00fanica forma, no entender dos que conduziam o processo, de se abordar a periferia da modernidade com vistas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de \u201ca\u00e7\u00f5es civilizat\u00f3rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Como circulam as ideias? Mapeamento Comparado da Produ\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica em Higher Education Studies<\/strong> &#8211; Layla Jorge Teixeira Cesar&nbsp;(UNB)<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo dessa pesquisa \u00e9 analisar o campo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o Ensino Superior, ou \u201cHigher Education Studies\u201d, em um estudo comparativo entre pa\u00edses centrais (Reino Unido e Estados Unidos) e pa\u00edses tidos como perif\u00e9ricos (Brasil, M\u00e9xico, Argentina e Chile). A partir de dados bibliom\u00e9tricos extra\u00eddos da plataforma Web of Science, incluindo a cole\u00e7\u00e3o Scielo, foram analisadas as refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas de at\u00e9 5.000 artigos mais relevantes de cada pa\u00eds, indexados a essa \u00e1rea tem\u00e1tica, a fim de identificar os intelectuais mais referenciados em cada amostra. Comparamos os resultados a partir das seguintes categorias: autonomia do campo (raz\u00e3o entre intelectuais nacionais\/estrangeiros); g\u00eanero (raz\u00e3o entre mulheres\/homens nas autorias e nas refer\u00eancias); e tem\u00e1ticas abordadas (palavras-chave mais utilizadas). Analisamos tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o de clusters em co-cita\u00e7\u00e3o para identificar grupos formados por afinidade no interior dos campos.<br>Antecipando os resultados gerais, podemos destacar que o Brasil tem um n\u00edvel de autonomia maior que seus vizinhos latino-americanos. \u00c9 o \u00fanico pa\u00eds da regi\u00e3o entre os observados que referencia mais autores nacionais que internacionais. Essa raz\u00e3o entre autores nacionais\/estrangeiros, contudo, ainda se apresenta em menor grau que nos pa\u00edses centrais, apontando para uma condi\u00e7\u00e3o de semiperiferia. Al\u00e9m disso, se observa uma disparidade de g\u00eanero transversal, presente em todos os pa\u00edses examinados: h\u00e1 uma maioria de autoras dos artigos, referenciando uma maioria de homens, o que reflete um desequil\u00edbrio no campo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Ci\u00eancia aberta e plataformiza\u00e7\u00e3o acad\u00eamica: tens\u00f5es e desafios<\/strong> &#8211; Tatiane Pacanaro Trinca&nbsp;(CAPES),&nbsp;Sarita Albagli&nbsp;(Instituto Brasileiro de Informa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia)<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se, nos \u00faltimos anos, o crescimento de recomenda\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas governamentais voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia aberta. Composta por m\u00faltiplas agendas, a ci\u00eancia aberta configura-se como um movimento de abertura de conte\u00fados, ferramentas e processos cient\u00edficos, que incentiva pr\u00e1ticas colaborativas, o compartilhamento de dados, protocolos e publica\u00e7\u00f5es. De modo geral, contrap\u00f5e-se tanto \u00e0 cultura do sigilo \u2014 associada \u00e0 crise de reprodutibilidade \u2014 quanto \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o e ao fechamento do conhecimento cient\u00edfico promovidos por grandes editoras. Paradoxalmente, o avan\u00e7o da ci\u00eancia aberta tem sido acompanhado, em paralelo, pela reconfigura\u00e7\u00e3o dos modelos de neg\u00f3cios dessas corpora\u00e7\u00f5es editoriais, que passaram a se reposicionar como plataformas fornecedoras de informa\u00e7\u00f5es e an\u00e1lise de dados, apresentando-se tamb\u00e9m como \u201capoiadoras\u201d da ci\u00eancia aberta. Diante desses novos arranjos, este trabalho investiga os efeitos da plataformiza\u00e7\u00e3o das infraestruturas acad\u00eamicas, bem como os desafios que imp\u00f5e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos transformadores da abertura da pesquisa. Com base nos Estudos de Plataforma, argumenta-se que tais corpora\u00e7\u00f5es reformularam seus modelos de neg\u00f3cio a partir do processo de digitaliza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados cient\u00edficos e da ascens\u00e3o dos dados como ativos estrat\u00e9gicos do capitalismo contempor\u00e2neo. Como resultados, conclui-se que, ao operarem como plataformas, esses conglomerados ampliaram seu poder, sequestrando os sentidos da ci\u00eancia aberta sob l\u00f3gicas comerciais, o que vem aprofundando as assimetrias do sistema cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Condicionantes da Circula\u00e7\u00e3o Acad\u00eamica: Cientistas Sociais Brasileiros em Forma\u00e7\u00e3o no Exterior (1964\u20131985)<\/strong> &#8211; Matheus Almeida Pereira Ribeiro&nbsp;(UNB)<\/p>\n\n\n\n<p>A institucionaliza\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias sociais no Brasil, assim como em outras na\u00e7\u00f5es do Sul Global, \u00e9 atravessada diretamente por assimetrias de poder no campo do conhecimento. Este artigo analisa como a geopol\u00edtica do conhecimento influenciou a realiza\u00e7\u00e3o de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no exterior por soci\u00f3logos brasileiros durante a ditadura militar. Utilizam-se dados de 627 cientistas sociais do Brasil, coletados na plataforma Lattes, analisando o pa\u00eds onde os cursos foram realizados, as fontes de financiamento e os temas de pesquisa. Entre 1964 e 1975, as ag\u00eancias de financiamento norte-americanas \u2014 especialmente a Funda\u00e7\u00e3o Ford \u2014 foram proeminentes, fortalecendo os la\u00e7os acad\u00eamicos com os Estados Unidos. De 1975 a 1985, houve uma redu\u00e7\u00e3o na depend\u00eancia do financiamento externo, mas os padr\u00f5es de concentra\u00e7\u00e3o de destinos no eixo Euro-Americano persistiram. A an\u00e1lise tem\u00e1tica das disserta\u00e7\u00f5es e teses sugere, ainda que de forma indici\u00e1ria, a influ\u00eancia do ide\u00e1rio evolucionista e euroc\u00eantrico das teorias da moderniza\u00e7\u00e3o sobre as ci\u00eancias sociais brasileiras. Esse estudo destaca a import\u00e2ncia de examinar a hist\u00f3ria das ci\u00eancias sociais no Brasil sob a perspectiva da geopol\u00edtica do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>19\/09\/202<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 03 <\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>13:30 \u2013 15:30<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 309 (3o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>A constru\u00e7\u00e3o social da popula\u00e7\u00e3o negra e sua rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia: a partir da an\u00e1lise ontol\u00f3gica<\/strong> &#8211; Lucas C\u00e9sar Rodrigues da Silva&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>A tecnologia acompanha a humanidade desde o in\u00edcio da sua exist\u00eancia no continente africano, o uso da pedra lascada foi um dos referenciais para os arque\u00f3logos determinem o surgimento dos Homo sapiens. Atrav\u00e9s do uso da tecnologia o ser humano desenvolveu diversos artefatos para auxili\u00e1-lo, Mumford (1934) traz um cat\u00e1logo com os principais g\u00eaneros tecnol\u00f3gicos desenvolvidos pelos humanos: roupas, utens\u00edlios, estruturas, aparatos, utilidades, ferramentas, m\u00e1quinas e m\u00e1quinas cibern\u00e9ticas. S\u00e3o diversas as correntes de pensamento ao longo da hist\u00f3ria que definem o que \u00e9 uma tecnologia, a mais comum na ci\u00eancia e no senso comum \u00e9 atrelar a tecnologia como aplica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, dentre as correntes de pensamento que definem a tecnologia podemos apontar o quadrante de Feenberg (2003) que mostra quatro correntes de pensamento entre elas: O determinismo, o instrumentalismo, o substantivismo e a teoria cr\u00edtica. Existem poucos estudos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre racismo e tecnologia (HERZIG, 2004; BENJAMIN, 2021). Por mais que os estudos sociais da tecnologia compreenda que a tecnologia tem valores humanos (racismo, patriarcado, classismo e homofobia e transfobia), ela permanece com a estrutura de pensamento do norte global e n\u00e3o se orienta pelas subjetividades das desigualdades. Benjamin (2021) aponta a necessidade entre realizar a interconex\u00e3o entre os estudos sociais da tecnologia e a teoria cr\u00edtica racial. Nossa an\u00e1lise buscar\u00e1 construir um panorama te\u00f3rico-conceitual a partir das categorias ontol\u00f3gicas: desontologiza\u00e7\u00e3o e reontologiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Subalternidade e invisibilidade na computa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong> &#8211; Priscila Salom\u00e3o de Jesus&nbsp;(UTFPR)<\/p>\n\n\n\n<p>Por ser uma \u00e1rea majoritariamente masculina, a Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o padece pela falta de pluralidade. Isto acarreta um vi\u00e9s no processo de desenvolvimento de tecnologias digitais, j\u00e1 que o pensamento hegem\u00f4nico da cultura da computa\u00e7\u00e3o fica restrito ao projeto, implementa\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de processos e artefatos tecnol\u00f3gicos que atendam \u00e0s demandas de classes econ\u00f4micas abastadas, predominantemente brancas e masculinas. Esta pesquisa objetiva mapear, por meio de categorias oriundas dos estudos do feminismo interseccional, o estado da arte das pesquisas sobre ra\u00e7a-etnia, classe, g\u00eanero nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da computa\u00e7\u00e3o no Brasil. Tal mapeamento torna poss\u00edvel a visualiza\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de pesquisas que considerem perspectiva interseccional diante da tens\u00e3o, invisibiliza\u00e7\u00e3o e subalterniza\u00e7\u00e3o que ocorre no contexto da computa\u00e7\u00e3o brasileira, uma vez que o campo da computa\u00e7\u00e3o no Brasil confabula com a hegemonia hist\u00f3rica, a qual se caracteriza pela representa\u00e7\u00e3o do perfil patriarcal, euroc\u00eantrico e androc\u00eantrico. O percurso metodol\u00f3gico foi alinhado a uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica de literatura, conforme o protocolo de Barbara Kitchenham, com as seguintes fases: Defini\u00e7\u00e3o de Quest\u00e3o de Pesquisa; Palavras-chaves utilizadas; Bases pesquisadas; Crit\u00e9rios de Inclus\u00e3o; Crit\u00e9rios de Exclus\u00e3o. A revis\u00e3o focou na investiga\u00e7\u00e3o e mapeamento da interseccionalidade (quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia entre outros) como conceito te\u00f3rico e como ocorrem na computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Inseguran\u00e7a alimentar, criminalidade e stricto sensu: o subalterno quanto objeto de pesquisa versus pesquisador<\/strong> &#8211; Rodrigo Solano Reis de Albuquerque&nbsp;(UFPA),&nbsp;Andressa D&#8217;Angelis Silva Santos&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho analisa a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento a partir da experi\u00eancia subalternizada no campo acad\u00eamico: a trajet\u00f3ria do autor, que sustenta sua sobreviv\u00eancia atrav\u00e9s do trabalho informal como ambulante nos \u00f4nibus de Bel\u00e9m. O objetivo \u00e9 refletir sobre como a precariedade material configura uma epistemologia pr\u00f3pria, que tensiona os limites entre o &#8220;cient\u00edfico&#8221; e o &#8220;perif\u00e9rico&#8221;, desvelando as hierarquias epist\u00eamicas que contribuem para marginaliza\u00e7\u00e3o de saberes e viveres nascidos na luta pela sobreviv\u00eancia em meio aos estigmas de criminaliza\u00e7\u00e3o do subalterno descrito. Metodologicamente, articula-se uma autoetnografia cr\u00edtica com discuss\u00f5es sobre colonialidade e decolonialidade, examinando como o academicismo tradicional contribui para invisibilizar e negligenciar formas de produ\u00e7\u00e3o intelectual gestadas na periferia concreta e simb\u00f3lica. Os resultados evidenciam alguns pontos: a necessidade como estrat\u00e9gia epist\u00eamica de resist\u00eancia, onde o freestyle (submodalidade do movimento Hip-Hop), nos \u00f4nibus se torna tanto meio de subsist\u00eancia quanto forma de conhecimento n\u00e3o-institucionalizado; a corporalidade perif\u00e9rica e pobre como territ\u00f3rio de produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, que desafia a neutralidade do pesquisador &#8220;colonializado&#8221;; e a universidade como espa\u00e7o que reproduz colonialismos internos ao naturalizar a aus\u00eancia de pol\u00edticas para subalternos. Conclui-se que a universidade, ao n\u00e3o enfrentar essas quest\u00f5es, perpetua uma divis\u00e3o colonial do trabalho intelectual onde o saber subalterno s\u00f3 \u00e9 admitido como dado, nunca como teoria.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Influ\u00eancia de vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas na motiva\u00e7\u00e3o pela escolha de cursos superiores na UTFPR &#8211; Londrina<\/strong> &#8211; Daniel Guerrini&nbsp;(UTFPR),&nbsp;Ana Elisa Yusiasu dos Santos&nbsp;(UTFPR)<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho aborda as motiva\u00e7\u00f5es para a escolha dos cursos entre estudantes das diferentes engenharias na UTFPR Londrina. Baseado em uma pergunta do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, analisam-se as motiva\u00e7\u00f5es elencadas pelos respondentes correlacionando-as \u00e0s vari\u00e1veis de sexo, ra\u00e7a\/etnia e escolaridade das m\u00e3es. As motiva\u00e7\u00f5es foram categorizadas em idealista, de mercado, por status e circunstancial. A coleta foi realizada entre os cursos de engenharia mec\u00e2nica, de produ\u00e7\u00e3o, de materiais, qu\u00edmica e ambiental. As an\u00e1lises de regress\u00e3o multinomial mostraram que entre os respondentes apenas a vari\u00e1vel sexo apresenta influ\u00eancia estat\u00edstica significativa. Constata-se que a grande maioria dos respondentes motiva-se por quest\u00f5es relativas ao mercado de trabalho (64,3%). Mas as mulheres apresentam 2,9 vezes mais chance de marcarem a categoria mercado em vez da categoria idealista comparadas aos homens. Homens, se em termos absolutos tamb\u00e9m marcam mais a categoria mercado, em compara\u00e7\u00e3o t\u00eam mais chances de marcar a categoria idealista que mulheres. Entende-se que a idealiza\u00e7\u00e3o na motiva\u00e7\u00e3o pela escolha do curso (por &#8220;voca\u00e7\u00e3o&#8221;) est\u00e1 associada a grupos mais privilegiados que se sentem no lugar ao qual se sentem socialmente pertencentes. Busca-se entender melhor as estrat\u00e9gias que estudantes mobilizam nesta etapa do ensino em que est\u00e3o construindo suas trajet\u00f3rias profissionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: O presente Grupo Tem\u00e1tico visa discutir trabalhos que tratem de constru\u00e7\u00f5es de conhecimento em seus v\u00e1rios sentidos: emp\u00edrico, te\u00f3rico, epistemol\u00f3gicos, oriundos de lugares, espa\u00e7os e pr\u00e1ticas supostamente \u201cperif\u00e9ricas\u201d e\/ou subalternizadas. A partir dos estudos sociais da ci\u00eancia e da tecnologia, propomos discutir as dire\u00e7\u00f5es e interesses de pesquisa que se t\u00eam voltado para os&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-441","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=441"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1172,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/441\/revisions\/1172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}