{"id":437,"date":"2025-05-21T20:57:52","date_gmt":"2025-05-21T23:57:52","guid":{"rendered":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=437"},"modified":"2025-09-11T10:48:01","modified_gmt":"2025-09-11T13:48:01","slug":"gt23-tecnologia-e-interseccionalidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=437","title":{"rendered":"GT23 &#8211; Tecnologia e Interseccionalidade"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> Compreendendo que o enfrentamento \u00e0s pol\u00edticas de domina\u00e7\u00e3o em nossos cotidianos de ensino, pesquisa e extens\u00e3o \u00e9 urgente, convidamos para esta GT todas\/os\/es com interesse em discutir e compartilhar pr\u00e1ticas de enfrentamento aos processos de viol\u00eancia decorrentes dos poderes hegem\u00f4nicos, fundamentalmente ra\u00e7a, g\u00eanero e classe social, a partir dos debates de Ci\u00eancia Tecnologia e Sociedade (CTS). Partindo de autoras como bell hooks (2019), que apresenta e discute l\u00f3gicas de diferentes viol\u00eancias que experienciamos e pensando no perigo das hist\u00f3rias \u00fanicas (Adichie, 2017), propomos o necess\u00e1rio enfrentamento aos apagamentos e silenciamentos que a academia hegem\u00f4nica produz e sustenta, especialmente nos temas de ra\u00e7a e g\u00eanero. Nosso convite se sustenta na busca por um exerc\u00edcio contra-hegem\u00f4nico de compartilhamento de hist\u00f3rias e saberes, desde a experi\u00eancia de trabalho e\/ou de pesquisa, entendendo que as mesmas (vida e pesquisa) n\u00e3o se separam (Battistelli; Rodrigues, 2021). Nesse caminho, abre-se a possibilidade da partilha de experi\u00eancias realizadas no enfrentamento ao racismo e sexismo, relacionados ao debate CTS. Assim, convidamos pesquisadoras\/es a apresentar seus relatos de pesquisa e trabalho que proponham o enfrentamento ao racismo, \u00e0 supremacia branca e \u00e0 desigualdade de g\u00eanero relacionando-as ao debate CTS. Com especial interesse em trabalhos que abordem:<br>&#8211; Branquitude Hegem\u00f4nica e caminhos para seu enfrentamento no debate CTS<br>&#8211; Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico Raciais e sua rela\u00e7\u00e3o com tecnologias de exclus\u00e3o<br>&#8211; Ra\u00e7a, tecnologia e ci\u00eancia<br>&#8211; Interseccionalidades e tecnologias<br>&#8211; G\u00eanero e tecnologia<br>&#8211; Perspectivas decoloniais e tecnologia<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadoras: <\/strong>Andrea Maila Voss Kominek (Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1), Andressa Ignacio da Silva (UNINTER)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>18\/09\/2025 <\/strong>&#8211; <strong>Sess\u00e3o 01<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 307 (3o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Tecnologias digitais e racialidade: notas de pesquisa<\/strong> &#8211; Paulo Victor Purifica\u00e7\u00e3o Melo&nbsp;(ISCTE)<\/p>\n\n\n\n<p>Da explora\u00e7\u00e3o de minas de coltan no Congo, que \u00e9 acompanhada de viola\u00e7\u00f5es de direitos de popula\u00e7\u00f5es locais, \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de t\u00e2ntalo na Amaz\u00f4nia brasileira, que tem resultado na polui\u00e7\u00e3o de rios e doen\u00e7as em comunidades ind\u00edgenas, a sustenta\u00e7\u00e3o do chamado \u201cmundo digital\u201d tem como uma das premissas a explora\u00e7\u00e3o de corpos e territ\u00f3rios racializados, evidenciando a relev\u00e2ncia de estudos sobre o colonialismo digital. Ao mesmo tempo em que s\u00e3o alvos da explora\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais, essas comunidades \u2013 e, sobretudo, pessoas com capacidade de lideran\u00e7a \u2013 s\u00e3o, cada vez mais, registradas, observadas, analisadas e classificadas via dispositivos tecnol\u00f3gicos por governos e empresas que precisam abafar os processos de resist\u00eancia a este cen\u00e1rio. De igual modo, tecnologias anunciadas como parte do chamado \u201cmundo moderno\u201d, a exemplo do reconhecimento facial, t\u00eam servido \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o de pessoas negras, qualificadas de imediato como \u201cperfis suspeitos\u201d. Aprofundar a discuss\u00e3o sobre esta tem\u00e1tica, por meio da partilha de an\u00e1lises e reflex\u00f5es de pesquisa sobre as articula\u00e7\u00f5es entre tecnologias digitais e rela\u00e7\u00f5es raciais, \u00e9 o objetivo principal deste trabalho. Prop\u00f5e-se aqui tamb\u00e9m dar relevo \u00e0 centralidade das tecnologias digitais nas media\u00e7\u00f5es culturais, nas din\u00e2micas socioculturais e nas disputas pol\u00edticas e econ\u00f4micas ser poss\u00edvel n\u00e3o apenas a partir da captura e venda massiva de dados digitais, mas tamb\u00e9m de l\u00f3gicas e pr\u00e1ticas de explora\u00e7\u00e3o de corpos e territ\u00f3rios f\u00edsicos racializados, como uma esp\u00e9cie de atualiza\u00e7\u00e3o do colonialismo europeu dos s\u00e9culos XV a XX.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Curr\u00edculos Silenciados: Tecnologias de Exclus\u00e3o e a Aus\u00eancia de Ra\u00e7a e G\u00eanero na Educa\u00e7\u00e3o Profissional<\/strong> &#8211; Iolete Martins Maia&nbsp;(IFPR)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho apresenta uma an\u00e1lise sobre como os curr\u00edculos dos cursos t\u00e9cnicos integrados ao ensino m\u00e9dio do IFPR \u2013 Campus Curitiba tratam, ou negligenciam, a integra\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es de ra\u00e7a e g\u00eanero, evidenciando como tecnologias de exclus\u00e3o operam no cotidiano escolar. A pesquisa, de abordagem qualitativa, utiliza como metodologia a an\u00e1lise documental dos Projetos Pedag\u00f3gicos de Curso (PPCs) e dos Planos de Desenvolvimento Institucional (PDIs), bem como a realiza\u00e7\u00e3o de entrevistas semiestruturadas com docentes das \u00e1reas t\u00e9cnicas e da forma\u00e7\u00e3o geral. Os dados revelam que, apesar da exist\u00eancia de marcos legais que orientam a inclus\u00e3o das tem\u00e1ticas \u00e9tnico-raciais e de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e profissional, h\u00e1 uma fragilidade na efetiva\u00e7\u00e3o dessas diretrizes nos documentos institucionais e nas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. Identificam-se silenciamentos, abordagens superficiais e a aus\u00eancia de transversalidade curricular, o que evidencia o funcionamento de tecnologias de exclus\u00e3o simb\u00f3lica que naturalizam a supremacia branca e o androcentrismo. As entrevistas tamb\u00e9m indicam lacunas na forma\u00e7\u00e3o docente inicial e continuada quanto \u00e0 abordagem cr\u00edtica das desigualdades. As considera\u00e7\u00f5es finais apontam para a urg\u00eancia de pol\u00edticas institucionais que enfrentem essas omiss\u00f5es, bem como para a necessidade de fortalecer o debate CTS a partir de uma perspectiva interseccional, que reconhe\u00e7a o papel das tecnologias na reprodu\u00e7\u00e3o ou supera\u00e7\u00e3o das desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Design, extens\u00e3o e interseccionalidade: desafios e potencialidades<\/strong> &#8211; Helen Vanessa Melezinski&nbsp;(UTFPR),&nbsp;Mar\u00edlia Abrah\u00e3o Amaral&nbsp;(UTFPR)<\/p>\n\n\n\n<p>O presente trabalho, parte de uma tese de doutorado em desenvolvimento que investiga os desafios e as potencialidades da extens\u00e3o universit\u00e1ria nos cursos de design, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua curriculariza\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, conforme estabelecido pela Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CES n\u00ba 7\/2018. Por meio de uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica de literatura referente \u00e0 extens\u00e3o universit\u00e1ria no campo do design no Brasil, busca-se compreender a maneira pela qual os projetos t\u00eam abordado \u2013 ou negligenciado \u2013 marcadores sociais como ra\u00e7a, g\u00eanero, classe e interseccionalidade. A pesquisa tem o objetivo de tensionar a rela\u00e7\u00e3o entre universidade e sociedade a partir da perspectiva da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extens\u00e3o. A fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica mobiliza concep\u00e7\u00f5es que entendem a extens\u00e3o como uma pr\u00e1tica cr\u00edtica, dial\u00f3gica e transformadora. O estudo procura aproximar o campo da extens\u00e3o universit\u00e1ria das pr\u00e1ticas de design social, analisando a capacidade dessas a\u00e7\u00f5es em construir metodologias comprometidas com a justi\u00e7a social e com os saberes historicamente marginalizados. Espera-se que essa abordagem contribua para a forma\u00e7\u00e3o de designers mais engajados com as desigualdades estruturais e os territ\u00f3rios de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Estrat\u00e9gias Sociot\u00e9cnicas de Cuidado: Feminismos Interseccionais e Resist\u00eancias Anticoloniais nas Economias de Plataforma<\/strong> &#8211; Beatrys Fernandes Rodrigues&nbsp;(Pesquisadora)<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas emp\u00edricas apontam que a visibilidade nas plataformas digitais \u00e9 uma \u201cfaca de dois gumes\u201d: importante para construir reputa\u00e7\u00e3o e se conectar com comunidades, mas tamb\u00e9m exp\u00f5e essas pessoas \u00e0 vigil\u00e2ncia e viol\u00eancia. Ativistas e pessoas compartilhando conte\u00fado uma vis\u00e3o de mundo feminista frequentemente enfrentam ass\u00e9dios em rede, potencializados por sistemas algor\u00edtmicos e comunidades organizadas online. Minha disserta\u00e7\u00e3o utiliza uma abordagem multi-m\u00e9todo de pesquisa qualitativa &#8211; com entrevistas, trabalho etnogr\u00e1fico e oficinas co-participativas &#8211; para investigar junto com jornalistas, ativistas, pol\u00edticos e pesquisadores que fazem partes de grupos minorizados e que compartilham conte\u00fado em redes sociais, como resistir ao ass\u00e9dio mediado por tecnologias digitais.. Para continuar atuando apesar da falta de prote\u00e7\u00e3o institucional, os participantes desenvolvem estrat\u00e9gias de resili\u00eancia baseadas no cuidado.<br>Minha an\u00e1lise preliminar destaca o \u201ccuidado\u201d como forma central de resist\u00eancia, dividida em quatro n\u00edveis:<br>&#8211; Cuidado com plataformas: uso estrat\u00e9gico das ferramentas digitais;<br>&#8211; Cuidado comunit\u00e1rio: apoio de redes sociais;<br>&#8211; Cuidado institucional: uso das estruturas existentes;<br>&#8211; Cuidado individual: defini\u00e7\u00e3o de limites e gest\u00e3o do pr\u00f3prio trabalho.<br>Essas pr\u00e1ticas formam uma infraestrutura sociot\u00e9cnica de resist\u00eancia \u00e0 viol\u00eancia digital e sustenta\u00e7\u00e3o do ativismo feminista online.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Cruzando Fronteiras: Desigualdades de G\u00eanero na Circula\u00e7\u00e3o Internacional de Cientistas Sociais Brasileiras (1964-1985)<\/strong> &#8211; Clara Frota Wardi&nbsp;(UNB),&nbsp;Matheus Almeida Pereira Ribeiro&nbsp;(UNB),&nbsp;Polliana Esmeralda Gon\u00e7alves Machado&nbsp;(UNB)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho analisa como as desigualdades de g\u00eanero moldaram a circula\u00e7\u00e3o internacional de cientistas sociais brasileiras durante a ditadura militar (1964\u20131985), com foco nas trajet\u00f3rias das que realizaram p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no exterior. A pesquisa combina an\u00e1lise quantitativa \u2014 com base em dados de 70 mulheres e 106 homens formados no per\u00edodo \u2014 e an\u00e1lise qualitativa a partir de 18 entrevistas. Examina-se o perfil dos fluxos internacionais, institui\u00e7\u00f5es de destino, fontes de financiamento e temas de pesquisa. As entrevistas mostram como o marcador social de g\u00eanero influenciou fortemente as oportunidades de mobilidade acad\u00eamica feminina em um per\u00edodo central da forma\u00e7\u00e3o de quadros das ci\u00eancias sociais brasileiras. Em muitos casos, a forma\u00e7\u00e3o internacional das mulheres esteve atrelada \u00e0 mobilidade previamente assegurada aos c\u00f4njuges, o que vinculava a experi\u00eancia \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar, ao passo que, para os homens, o percurso profissional se enunciava enquanto uma realiza\u00e7\u00e3o individual. A divis\u00e3o sexual do trabalho acad\u00eamico tamb\u00e9m aparece na distribui\u00e7\u00e3o das responsabilidades dom\u00e9sticas. O estudo revela ainda que o acesso a bolsas de estudo foi atravessado por desigualdades de g\u00eanero, tanto nas regras de ag\u00eancias nacionais quanto em institui\u00e7\u00f5es de fomento religiosas. A an\u00e1lise fundamenta-se em refer\u00eancias do feminismo decolonial, evidenciando como a colonialidade, patriarcado e localiza\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica afetam a experi\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e a circula\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, contribuindo para uma compreens\u00e3o cr\u00edtica da forma\u00e7\u00e3o do campo cient\u00edfico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Subalternidade e invisibilidade na computa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong> &#8211; Priscila Salom\u00e3o de Jesus&nbsp;(UTFPR),&nbsp;Mar\u00edlia Abrah\u00e3o Amaral&nbsp;(UTFPR)<\/p>\n\n\n\n<p>Por ser uma \u00e1rea majoritariamente masculina, a Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o padece pela falta de pluralidade. Isto acarreta um vi\u00e9s no processo de desenvolvimento de tecnologias digitais, j\u00e1 que o pensamento hegem\u00f4nico da cultura da computa\u00e7\u00e3o fica restrito ao projeto, implementa\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de processos e artefatos tecnol\u00f3gicos que atendam \u00e0s demandas de classes econ\u00f4micas abastadas, predominantemente brancas e masculinas. Esta pesquisa objetiva mapear, por meio de categorias oriundas dos estudos do feminismo interseccional, o estado da arte das pesquisas sobre ra\u00e7a-etnia, classe, g\u00eanero nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da computa\u00e7\u00e3o no Brasil. Tal mapeamento torna poss\u00edvel a visualiza\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de pesquisas que considerem perspectiva interseccional diante da tens\u00e3o, invisibiliza\u00e7\u00e3o e subalterniza\u00e7\u00e3o que ocorre no contexto da computa\u00e7\u00e3o brasileira, uma vez que o campo da computa\u00e7\u00e3o no Brasil confabula com a hegemonia hist\u00f3rica, a qual se caracteriza pela representa\u00e7\u00e3o do perfil patriarcal, euroc\u00eantrico e androc\u00eantrico. O percurso metodol\u00f3gico foi alinhado a uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica de literatura, conforme o protocolo de Barbara Kitchenham, com as seguintes fases: Defini\u00e7\u00e3o de Quest\u00e3o de Pesquisa; Palavras-chaves utilizadas; Bases pesquisadas; Crit\u00e9rios de Inclus\u00e3o; Crit\u00e9rios de Exclus\u00e3o. A revis\u00e3o focou na investiga\u00e7\u00e3o e mapeamento da interseccionalidade (quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia entre outros) como conceito te\u00f3rico e como ocorrem na computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Narrativas Negras: rap nacional como tecnologia contra-hegem\u00f4nica<\/strong> &#8211; Luciana Silva Kuzer Lehmkuhl&nbsp;(UTFPR),&nbsp;Andrea Maila Voss Kominek&nbsp;(Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1)<\/p>\n\n\n\n<p>A oralidade \u00e9 um instrumento cultural tecnol\u00f3gico utilizado pelo rap para denunciar e resistir ao racismo epist\u00eamico e a branquitude hegem\u00f4nica. Partindo de novas narrativas epist\u00eamicas e sociais, desconstruindo ideias naturalizadas, tidas como neutras e que determinam as rela\u00e7\u00f5es sociais de poder. Suas letras, com potencial emancipat\u00f3rio, contribuem para a conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e mobiliza\u00e7\u00e3o popular. A m\u00fasica, como ferramenta de constru\u00e7\u00e3o de narrativas, tamb\u00e9m possui um papel fundamental na transmiss\u00e3o de novas imag\u00e9ticas, colaborando para a observa\u00e7\u00e3o dos aspectos sociais, identit\u00e1rios, territoriais e hist\u00f3ricos, trazendo a possibilidade de refletir sobre a realidade. Tem como objetivo a transforma\u00e7\u00e3o social e o pensamento cr\u00edtico, construindo uma nova linguagem capaz de questionar os padr\u00f5es hegem\u00f4nicos da sociedade. Enquanto tecnologia contra hegem\u00f4nica, manifesta pr\u00e1ticas contra coloniais, subvertendo a l\u00f3gica \u201cuniversal\u201d euroc\u00eantrica de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. Visa preservar mem\u00f3rias e identidades negras, criando mecanismos de subjetividade da juventude negra perif\u00e9rica brasileira. Por meio da valoriza\u00e7\u00e3o de sua cultura, tensiona as opress\u00f5es impostas aos corpos negros desde o per\u00edodo colonial. Por meio de uma contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos processos sociais e das rela\u00e7\u00f5es de poder, focamos nas reivindica\u00e7\u00f5es de novas epistemes bibliogr\u00e1ficas, promovidas em sua maioria por intelectuais negras. Para elucidar essas discuss\u00f5es, a escrita da pesquisa \u00e9 norteada por uma vis\u00e3o intelectual perif\u00e9rica, que constr\u00f3i, por meio da linguagem cantada, novas narrativas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Preta \u00e9 palavra: Narrativas de insurg\u00eancia no Sert\u00e3o Nordestino<\/strong> &#8211; Maria Solineide Oliveira Alencar&nbsp;(PMC),&nbsp;Leonelo Dell Anhol Almeida&nbsp;(UTFPR)<\/p>\n\n\n\n<p>Este ensaio analisa de maneira cr\u00edtica a trajet\u00f3ria de resist\u00eancia de mulheres negras que se destacaram no sert\u00e3o nordestino, com \u00eanfase em tr\u00eas figuras emblem\u00e1ticas: Tia Simoa, lideran\u00e7a abolicionista no Cear\u00e1; Maria de Ara\u00fajo, mulher negra m\u00edstica vinculada ao movimento popular religioso do Padre C\u00edcero; e Jarid Arraes, escritora e cordelista contempor\u00e2nea que resgata mem\u00f3rias silenciadas da di\u00e1spora africana no Brasil. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamenta-se em an\u00e1lise documental e revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica cr\u00edtica, articulando os princ\u00edpios da teoria decolonial, da interseccionalidade e da justi\u00e7a cognitiva. O estudo busca evidenciar como essas mulheres, em distintas temporalidades e esferas de atua\u00e7\u00e3o \u2014 pol\u00edtica popular, espiritualidade e literatura \u2014 constroem epistemologias insurgentes a partir das margens do sert\u00e3o nordestino. Ao desafiar o racismo estrutural, o sexismo e o epistemic\u00eddio, suas pr\u00e1ticas produzem narrativas contra-hegem\u00f4nicas que rompem com o silenciamento hist\u00f3rico. Assim, o ensaio contribui para o reconhecimento das vozes negras femininas nos campos da hist\u00f3ria, da educa\u00e7\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o de saberes, destacando a pot\u00eancia das margens como territ\u00f3rio pol\u00edtico e epist\u00eamico de reexist\u00eancia.<br>Palavras-chave: Mulheres Negras; Sert\u00e3o nordestino; Decolonialidade; Resist\u00eancia; Epistemologias femininas.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: Compreendendo que o enfrentamento \u00e0s pol\u00edticas de domina\u00e7\u00e3o em nossos cotidianos de ensino, pesquisa e extens\u00e3o \u00e9 urgente, convidamos para esta GT todas\/os\/es com interesse em discutir e compartilhar pr\u00e1ticas de enfrentamento aos processos de viol\u00eancia decorrentes dos poderes hegem\u00f4nicos, fundamentalmente ra\u00e7a, g\u00eanero e classe social, a partir dos debates de Ci\u00eancia Tecnologia e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-437","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=437"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/437\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1170,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/437\/revisions\/1170"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}