{"id":433,"date":"2025-05-21T20:49:50","date_gmt":"2025-05-21T23:49:50","guid":{"rendered":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=433"},"modified":"2025-09-11T10:45:20","modified_gmt":"2025-09-11T13:45:20","slug":"gt19-meio-ambiente-e-interface-entre-ciencias-e-politicas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=433","title":{"rendered":"GT19 &#8211; Meio ambiente e interface entre ci\u00eancias e pol\u00edticas"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> No atual contexto de crise clim\u00e1tica global e desafios pol\u00edticos para a governan\u00e7a internacional do clima, torna-se cada vez mais importante compreender a rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia, expertise e problemas ambientais. A produ\u00e7\u00e3o de conhecimento ocorre em constante intera\u00e7\u00e3o com atores pol\u00edticos, sociais e econ\u00f4micos, dentro daquilo que ficou conhecido no campo CTS como a coprodu\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e ordem social. Este Grupo de Trabalho (GT) busca explorar as interfaces entre ci\u00eancias e pol\u00edticas e regula\u00e7\u00f5es ambientais, analisando como diferentes formas de conhecimento, t\u00e9cnicas e tecnologias s\u00e3o produzidas, mobilizadas e disputadas no contexto da formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ambientais e de conflitos ambientais. Ser\u00e3o bem-vindas propostas que adotem perspectivas construtivistas e reflexivas das ci\u00eancias e das tecnologias para discutir criticamente a coprodu\u00e7\u00e3o entre as ci\u00eancias e processos decis\u00f3rios, normativos e institucionais em diferentes escalas \u2013 do local ao global. O GT acolher\u00e1 trabalhos que lidem com os seguintes temas, dentre outros:<br><br>a) a governan\u00e7a ambiental e o papel das ci\u00eancias nas tomadas de decis\u00f5es p\u00fablicas;<br>b) a participa\u00e7\u00e3o de comunidades locais, tradicionais e ind\u00edgenas na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e sua influ\u00eancia em processos decis\u00f3rios; c)as tens\u00f5es entre ci\u00eancia, interesses pol\u00edtico-econ\u00f4micos e pol\u00edticas p\u00fablicas;<br>d) o negacionismo clim\u00e1tico e ambiental;<br>f) a geopol\u00edtica da ci\u00eancia ambiental;<br>g) o trabalho de fronteira nas interfaces ci\u00eancias\/pol\u00edticas ambientais;<br>h) usos e mobiliza\u00e7\u00f5es das ci\u00eancias em conflitos ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadores:<\/strong> Jean Carlos Hochsprung Miguel (UNICAMP), Lorena C\u00e2ndido Fleury (UFRGS), Tiago Ribeiro Duarte (Universidade de Bras\u00edlia)<br><strong>Debatedor:<\/strong> Marko Monteiro (UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 01<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 303 (3o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>O agenciamento dos pap\u00e9is na disputa pela governan\u00e7a ambiental e fundi\u00e1ria na Ba\u00eda de Castelhanos (Ilhabela\/SP).<\/strong> &#8211; Fernanda Folster de Paula&nbsp;(UFOPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho discute como o acionamento de conhecimentos t\u00e9cnico-cient\u00edficos, documentos jur\u00eddico-cartoriais e dispositivos legais t\u00eam sido mobilizados para fazer frente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma Reserva Extrativista (Resex) no litoral de S\u00e3o Paulo, engendrando um tipo espec\u00edfico de governan\u00e7a ambiental. O trabalho \u00e9 resultado de pesquisa de doutorado (2020-2024). A Resex Ba\u00eda de Castelhanos foi criada no dia 29\/12\/2020, \u00faltimo dia do mandato da prefeita Maria das Gra\u00e7as (PSD). Em 18\/12\/2020, antes da cria\u00e7\u00e3o da Resex, donos de propriedades privadas no local protocolaram uma A\u00e7\u00e3o Popular solicitando o congelamento das discuss\u00f5es em torno da cria\u00e7\u00e3o dessa Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC). Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da UC, em 06\/072021, os mesmos atores protocolaram um pedido \u00e0 Secretaria Municipal de Meio Ambiente solicitando a extin\u00e7\u00e3o da UC, e no dia 16\/082022, o ent\u00e3o prefeito Ant\u00f4nio Colucci (PL) aprovou, junto \u00e0 C\u00e2mara Municipal, o Projeto de Lei que extinguiu a Resex (numa a\u00e7\u00e3o posteriormente julgada inconstitucional pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal). Dado esse hist\u00f3rico, este trabalho analisa os documentos jur\u00eddico-cartoriais aqui mencionados, com o objetivo de discutir como estes documentos e a argumenta\u00e7\u00e3o que eles sustentam (que mobiliza conhecimentos t\u00e9cnico-cient\u00edficos, dispositivos legais e outros documentos jur\u00eddico-cartoriais) engendram uma governan\u00e7a espec\u00edfica do meio ambiente, fundamentada na autoridade pessoal dos propriet\u00e1rios de terra e na extensividade de suas propriedades. De maneira complementar, o trabalho mobiliza duas entrevistas realizadas com esses propriet\u00e1rios em 2023.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Expertises e contra-expertises em constru\u00e7\u00e3o: uma tipologia a partir da minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio em Caetit\u00e9 (BA)<\/strong> &#8211; Bruno Lucas Saliba de Paula&nbsp;(UEMG)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho busca propor uma s\u00edntese te\u00f3rico-conceitual referente aos diversos tipos de expertise e contra-expertise, que variam conforme os espa\u00e7os em que s\u00e3o produzidas \u2013 se a partir de interesses hegem\u00f4nicos ou contra-hegem\u00f4nicos \u2013 e o grau de neutralidade ou situacionalidade que reivindicam para si. Argumentamos, inspirados nas epistemologias feministas, que as ci\u00eancias se tornam contra-expertises mais potentes ao adquirem uma \u201cobjetividade forte\u201d, ou seja, ao assumirem seu engajamento com pautas de grupos subalternizados. Nossas proposi\u00e7\u00f5es conceituais derivam tanto de uma revis\u00e3o da literatura dos Estudos Sociais da Ci\u00eancia e Tecnologia quanto de um estudo de caso sobre a minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio em Caetit\u00e9 (BA), atividade realizada pelas Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil e associada um poss\u00edvel quadro de adoecimento por c\u00e2ncer por parte da popula\u00e7\u00e3o local e de contamina\u00e7\u00f5es ambientais. Analisamos a rela\u00e7\u00e3o entre dois regimes de conhecimentos que perpassam esse conflito ambiental: de um lado, a perspectiva cient\u00edfica hegem\u00f4nica, presente principalmente nos posicionamentos do corpo t\u00e9cnico da INB e dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o; de outro lado, os conhecimentos alternativos e engajados produzidos por atingidos e movimentos sociais da regi\u00e3o em parceria com cientistas independentes. Ressaltamos, assim, a necessidade de que popula\u00e7\u00f5es atingidas por conflitos ambientais tenham protagonismo n\u00e3o s\u00f3 em processos decis\u00f3rios, mas tamb\u00e9m de produ\u00e7\u00e3o de contra-expertises, de forma a fomentar a democratiza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Modos de Produ\u00e7\u00e3o e Transforma\u00e7\u00f5es Pol\u00edtico-Epist\u00eamicas na Ci\u00eancia do Clima: An\u00e1lise do Programa AmazonFACE<\/strong> &#8211; Maria Clara Ferreira Guimar\u00e3es&nbsp;(UNICAMP),&nbsp;Jean Carlos Hochsprung Miguel&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do estudo de caso do AmazonFACE &#8211; um programa cient\u00edfico binacional (Brasil e Inglaterra) em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na floresta Amaz\u00f4nica -, buscamos compreender como diferentes din\u00e2micas de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica coexistem e evoluem em um mesmo programa ao longo do tempo. Investigamos se e como os modos de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento (tipologias propostas por autores) se articulam ou transformam diante de novos arranjos institucionais, pol\u00edticos e epist\u00eamicos. Esse processo de transforma\u00e7\u00e3o chamamos de &#8220;din\u00e2micas pol\u00edtico-epist\u00eamicas da ci\u00eancia clim\u00e1tica&#8221;. A literatura recente aponta que os desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impulsionam uma transi\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao modo 3, ou seja, uma ci\u00eancia mais participativa e voltada \u00e0 coprodu\u00e7\u00e3o de resultados aplicados ao contexto de tomada de decis\u00e3o. A quest\u00e3o colocada \u00e9: quais s\u00e3o os impulsionadores de tais din\u00e2micas pol\u00edtico-epist\u00eamicas? Neste contexto, o AmazonFACE \u00e9 um objeto de estudo privilegiado por ser anunciado como \u201cvitrine da ci\u00eancia clim\u00e1tica brasileira\u201d. Este trabalho \u00e9 parte de um mestrado: os modos de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico no contexto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que utilizar\u00e1 entrevistas com os l\u00edderes do programa e representantes dos financiadores de ambos os pa\u00edses; an\u00e1lise de literatura cinza; mapeamento da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos por \u00e1rea; al\u00e9m da an\u00e1lise comparativa dos planos cient\u00edficos. Apresentamos aqui os resultados preliminares da an\u00e1lise dos planos cient\u00edficos de 2014 e 2024, destacando os ind\u00edcios de mudan\u00e7as nos modos de produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia no interior do programa.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Arquitetura da Governan\u00e7a Clim\u00e1tica Brasileira: Banco de dados e visualiza\u00e7\u00e3o dos usos sociais da ci\u00eancia<\/strong> &#8211; Andr\u00e9 Trevisol Trindade&nbsp;(UFRGS),&nbsp;Lorena C\u00e2ndido Fleury&nbsp;(UFRGS)<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o um dos principais desafios contempor\u00e2neos, exigindo governan\u00e7a coordenada em diferentes n\u00edveis. No Brasil, a Pol\u00edtica Nacional sobre Mudan\u00e7a do Clima, institu\u00edda em 2009, define objetivos, instrumentos e diretrizes para orientar a a\u00e7\u00e3o federal. Este trabalho, por meio de uma plataforma digital desenvolvida pelos autores, produz e divulga um banco de dados sobre a arquitetura de governan\u00e7a clim\u00e1tica atual no pa\u00eds, com foco nos usos sociais da ci\u00eancia, e oferece visualiza\u00e7\u00e3o interativa desses componentes. Para isso, foi montado um reposit\u00f3rio que abrange desde a cria\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional sobre Mudan\u00e7a do Clima at\u00e9 hoje, reunindo normas, planos, registros do Congresso Nacional e dados do Curr\u00edculo Lattes dos cientistas referenciados nos documentos. A an\u00e1lise documental \u00e9 realizada com apoio do NVivo e de scripts em Python, e a visualiza\u00e7\u00e3o de dados foi criada com o Looker Studio. Resultados preliminares apontam predom\u00ednio de iniciativas econ\u00f4micas e financeiras, escassez de atos normativos voltados \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o, interrup\u00e7\u00e3o de audi\u00eancias p\u00fablicas entre 2019 e 2022 e concentra\u00e7\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas de cientistas envolvidos na Pol\u00edtica Nacional sobre Mudan\u00e7a do Clima na regi\u00e3o Sudeste do Brasil, sendo os t\u00edtulos obtidos no exterior majoritariamente nos Estados Unidos e na Europa. Todos esses resultados est\u00e3o dispon\u00edveis na interface interativa, que oferece aos pesquisadores uma vis\u00e3o integrada dos dados e facilita an\u00e1lises detalhadas das din\u00e2micas da governan\u00e7a clim\u00e1tica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>A Coprodu\u00e7\u00e3o da Identidade de Atingido: o Movimento de Atingidos por Barragens do Esp\u00edrito Santo no Desastre no Rio Doce<\/strong> &#8211; Alexsander Fonseca de Araujo&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho analisa a constru\u00e7\u00e3o da identidade de atingido pelo Movimento dos Atingidos por Barragens no Esp\u00edrito Santo (MAB-ES), explorando a coprodu\u00e7\u00e3o em disputas sociot\u00e9cnicas e conflitos socioambientais. O desastre no Rio Doce em 2015, causado pelo rompimento da barragem da Samarco\/Vale\/BHP Billiton, gerou m\u00faltiplos impactos socioambientais e instaurou uma disputa epist\u00eamica sobre a defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser atingido. Nessa controv\u00e9rsia, o MAB-ES emerge como ator central desafiando a gest\u00e3o t\u00e9cnico-institucional do desastre pela Funda\u00e7\u00e3o Renova. Portanto, o trabalho visa compreender como o MAB-ES coproduz a identidade dos atingidos do desastre no Rio Doce, mediando disputas sociot\u00e9cnicas por reconhecimento, saber e repara\u00e7\u00e3o. E identificar quais as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas colocadas no conflito socioambiental. Para tanto, utilizou-se: entrevistas com quatro coordenadores do MAB-ES; observa\u00e7\u00e3o participante; pesquisa documental; processados no software NVivo 12. Os dados revelam que a identidade de atingido n\u00e3o \u00e9 apenas uma categoria jur\u00eddica ou t\u00e9cnica, mas uma elabora\u00e7\u00e3o coletiva que emerge do sofrimento social, da mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por repara\u00e7\u00e3o e da disputa por reconhecimento. Essa identidade \u00e9 performada na articula\u00e7\u00e3o de atores e territorialidades, no desafio da ordem sociot\u00e9cnica da Renova e no enquadramento de percep\u00e7\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Dessa forma, os atingidos se tornam produtores de conhecimento sobre os impactos do desastre. Contudo, o trabalho disponibiliza recursos para refletir a constru\u00e7\u00e3o de sentido das rela\u00e7\u00f5es entre ci\u00eancia, pol\u00edtica e meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>18\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 02 &#8211; GT 19: Meio ambiente e interface entre ci\u00eancias e pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 303 (3o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Contra-Narrativas de comunidades tradicionais sobre a crise h\u00eddrica no Oeste da Bahia:<\/strong> Lucas Moreira Silva&nbsp;(Universidade de Bras\u00edlia)<\/p>\n\n\n\n<p>O Oeste da Bahia tem enfrentado uma crescente crise h\u00eddrica. A regi\u00e3o, habitada por comunidades tradicionais, tornou-se, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma \u00e1rea de expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola. Essas transforma\u00e7\u00f5es tem repercutido em conflitos por \u00e1gua. Estes assumem uma dimens\u00e3o epist\u00eamica, expressa na disputa de narrativas entre setores do agroneg\u00f3cio e comunidades sobre as causas da crise h\u00eddrica na regi\u00e3o. Este trabalho adentra essa dimens\u00e3o, com foco nas contra-narrativas elaboradas por comunidades tradicionais acerca das causas da crise h\u00eddrica. Objetivou-se compreender as contra-narrativa, bem como identificar as causas atribu\u00eddas, os argumentos e as expertises mobilizadas. Realizou-se uma pesquisa de campo com entrevistas semi-estruturadas com diversos atores sociais, selecionados por meio de amostragem em bola de neve, seguida de uma an\u00e1lise tem\u00e1tica dos dados.As causas da crise s\u00e3o atribu\u00eddas, principalmente, \u00e0s mudan\u00e7as no uso do solo, \u00e0 capta\u00e7\u00e3o intensiva e \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, fortemente associadas ao agroneg\u00f3cio, com os fatores clim\u00e1ticos em segundo plano. Especialistas conduzem pesquisas em apoio \u00e0s comunidades, sendo fortemente influenciados por expertises leigas, enquanto alguns integrantes das comunidades mobilizam saberes locais e outros se inspiram em pesquisas cient\u00edficas para desenvolver suas pr\u00f3prias investiga\u00e7\u00f5es. Deste modo, as contra-narrativas destacam a multicausalidade da crise, enfatizando o agroneg\u00f3cio como causa principal, e se fundamentam em contra-expertises certificadas, leigas e em ci\u00eancia cidad\u00e3, de modo a realizar trabalhos de fronteira.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Narrativas da Sustentabilidade: Um Estudo dos Discursos sobre \u00c1gua e Conflitos Ambientais no Agroneg\u00f3cio do Oeste da Bahia<\/strong> &#8211; Adriano Casemiro Nogueira Campos de Sousa&nbsp;(UNB)<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo trata de um estudo com o objetivo de analisar os discursos das comunidades epist\u00eamicas vinculadas ao agroneg\u00f3cio do oeste da Bahia em rela\u00e7\u00e3o ao uso de recursos naturais, especialmente \u00e1gua, para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. O trabalho se baseia em an\u00e1lise documental de relat\u00f3rios, etnografia e artigos cient\u00edficos e entrevistas em profundidade com cientistas vinculados \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA). Conhecida por seu grande crescimento econ\u00f4mico, o Oeste da Bahia tem enfrentado crescentes conflitos ambientais devido \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do esgotamento da \u00e1gua por parte da popula\u00e7\u00e3o local. A popula\u00e7\u00e3o nativa da regi\u00e3o, juntamente com movimentos ambientalistas e sociais, tem acusado os agricultores do agroneg\u00f3cio de superexplorar os recursos h\u00eddricos por meio da irriga\u00e7\u00e3o por piv\u00f4 central. A pesquisa revelou um discurso \u201ctecno-otimista\u201d dominante entre os atores vinculados ao agroneg\u00f3cio. Eles afirmam que suas pr\u00e1ticas, supostamente impulsionadas por ci\u00eancia e tecnologia avan\u00e7adas, j\u00e1 seriam ambientalmente sustent\u00e1veis. Isso inclui o uso de plantio direto, irriga\u00e7\u00e3o, projetos socioambientais e pesticidas biol\u00f3gicos. Al\u00e9m disso, identificaram-se estrat\u00e9gias discursivas de demarca\u00e7\u00e3o de fronteiras entre a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do grupo associado ao agroneg\u00f3cio do oeste baiano e a produ\u00e7\u00e3o de outros grupos cient\u00edficos com discursos mais alinhados ao discurso das comunidades nativas. Tamb\u00e9m estrat\u00e9gias de co-produ\u00e7\u00e3o da ordem social, no sentido da reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder e hierarquias sociais locais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>O agroneg\u00f3cio e perfomance da sustentabilidade em contexto de crise h\u00eddrica<\/strong> &#8211; Tiago Ribeiro Duarte&nbsp;(Universidade de Bras\u00edlia)<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o do Oeste da Bahia, uma das \u00faltimas fronteiras agr\u00edcolas do pa\u00eds, tem sido local de extensa expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, o que envolveu, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, extenso desmatamento do cerrado e, mais recentemente, aumento do uso da irriga\u00e7\u00e3o com o uso de piv\u00f4s centrais. A expans\u00e3o do setor na regi\u00e3o, todavia, \u00e9 alvo de conflito, principalmente com membros de comunidades tradicionais que v\u00eam argumentando, juntamente com movimentos sociais, ONGs e acad\u00eamicos, que a agroind\u00fastria \u00e9 respons\u00e1vel pela diminui\u00e7\u00e3o na vaz\u00e3o dos rios da regi\u00e3o, gerando uma crise h\u00eddrica. Em um contexto em que suas atividades s\u00e3o problematizadas como sendo causadoras de danos socioambientais, o agroneg\u00f3cio tem trabalhado para performar uma imagem de sustentabilidade, de modo a legitimar suas pr\u00e1ticas e melhorar a opini\u00e3o p\u00fablica sobre o setor. O objetivo deste trabalho \u00e9 estudar as narrativas pelas quais a Associa\u00e7\u00e3o dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA) busca performar a sustentabilidade ambiental das pr\u00e1ticas do agroneg\u00f3cio. Para tanto, foi realizado um estudo da AIBA Rural, revista editada pela associa\u00e7\u00e3o e que inclui editoriais, entrevistas, reportagens, artigos de divulga\u00e7\u00e3o escritos por especialistas e material publicit\u00e1rio. Foi realizada a an\u00e1lise tem\u00e1tica dos n\u00fameros um ao vinte e dois da publica\u00e7\u00e3o, englobando os anos 2015 a 2022. A partir dessa an\u00e1lise, argumenta-se que o agroneg\u00f3cio do Oeste da Bahia busca performar sua sustentabilidade argumentando que suas atividades s\u00e3o legais, amparadas na ci\u00eancia, altamente tecnol\u00f3gicas e ambientalmente comprometidas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Vis\u00f5es da \u00e1gua na Regi\u00e3o Metropolitana de Bel\u00e9m<\/strong> &#8211; Juliano Pamplona Ximenes Ponte&nbsp;(UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAR\u00c1)<\/p>\n\n\n\n<p>Aborda-se a \u00e1gua, elemento da paisagem, ve\u00edculo, recurso e subst\u00e2ncia, \u00e9 caracterizada, descrita e representada por diferentes grupos, agentes e classes sociais no contexto da capital paraense, Bel\u00e9m, e sua Regi\u00e3o Metropolitana. Havendo um senso comum sobre a paisagem amaz\u00f4nica como algo relacionado \u00e0 hidrografia, coexistem tamb\u00e9m vis\u00f5es discriminat\u00f3rias, enunciados performativos e narrativas id\u00edlicas, com usos diversos do ide\u00e1rio da justi\u00e7a ambiental e do combate \u00e0 desigualdade nas cidades. Em paralelo, interven\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas e infraestruturais s\u00e3o relatadas e parecem afetar de modo distinto os diversos grupos sociais, tanto nas obras relativas ao evento da confer\u00eancia das partes sobre o clima (COP30), a ocorrer em Bel\u00e9m em novembro de 2025, quanto em interven\u00e7\u00f5es passadas e n\u00e3o relacionadas ao evento. Usa-se a imagem da orla fluvial da regi\u00e3o como resgate, como reden\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, como potencial tur\u00edstico e de consumo da paisagem ao mesmo tempo em que formas revisitadas de higienismo social e sanit\u00e1rio s\u00e3o praticadas, em concep\u00e7\u00f5es conservadoras de desenho sanit\u00e1rio \u2013 divulgadas como recupera\u00e7\u00e3o ambiental. As acep\u00e7\u00f5es sobre a paisagem da \u00e1gua (rios, canais de drenagem, alagamentos, parques, portos, baixadas) oscilam: den\u00fancia social associada a projeto com deslocamento populacional compuls\u00f3rio; constata\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o ambiental; caracteriza\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o ambiental associada \u00e0 pobreza urbana em \u00e1reas inund\u00e1veis, as \u02dcbaixadas\u02dc; pretens\u00e3o redentora de concep\u00e7\u00f5es do \u201cempresariamento\u201d da gest\u00e3o urbana, justificada pela tese dos efeitos positivos para os pobres.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>A tese do Marco Temporal: amea\u00e7as aos direitos ind\u00edgenas e ao clima<\/strong> &#8211; Martha Fellows Dourado&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>Se o Brasil quiser ser uma pot\u00eancia clim\u00e1tica, deve respeitar os direitos dos povos ind\u00edgenas. Estudos recentes demonstraram que a tese do Marco Temporal amea\u00e7a o futuro socioecon\u00f4mico e ambiental do pa\u00eds. Tal proposta pode resultar na interrup\u00e7\u00e3o do j\u00e1 moroso processo de demarca\u00e7\u00e3o de Terras Ind\u00edgenas (TIs) no pa\u00eds, e levariam \u00e0 revis\u00e3o daquelas j\u00e1 reconhecidas, enfraquecendo os direitos leg\u00edtimos e constitucionais desses povos. Al\u00e9m do aumento da perda da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, avalia-se os riscos da perda dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos inerentes ao modo de vida de povos ind\u00edgenas &#8211; com \u00eanfase na regi\u00e3o amaz\u00f4nica que abriga a maior \u00e1rea de TIs demarcadas. Calculou-se o volume do estoque de carbono florestal armazenado nas TIs, a partir do mapa de estoque de carbono do Quarto Invent\u00e1rio Nacional (Brasil 2021); e sua relev\u00e2ncia para a regula\u00e7\u00e3o do clima regional, observando o efeito da vegeta\u00e7\u00e3o nativa na temperatura m\u00e9dia e na evapotranspira\u00e7\u00e3o local e regional. Cabe ressaltar que foram consideradas nas an\u00e1lises todas as TIs que tiveram seu processo de homologa\u00e7\u00e3o iniciado at\u00e9 o momento (RAISG, 2022; FUNAI, 2022).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Digitaliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e povos ind\u00edgenas: atualiza\u00e7\u00f5es das florestas pol\u00edticas<\/strong> &#8211; Leandro Siqueira&nbsp;(UNIMES)<\/p>\n\n\n\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o das florestas promovida pela crescente aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais para o monitoramento ambiental transborda a dimens\u00e3o t\u00e9cnica, demandando a participa\u00e7\u00e3o de diferentes grupos configurando, assim, novos arranjos sociot\u00e9cnicos em torno da prote\u00e7\u00e3o ambiental.<br>A literatura sobre o tema destaca tanto a multiplica\u00e7\u00e3o de projetos estatais de compartilhamento de dados de sat\u00e9lite quanto a atua\u00e7\u00e3o de empresas privadas de sensoriamento remoto, quem impulsionariam um \u201cativismos de imagens de sat\u00e9lite\u201d liderados por ONGs ambientais. Entretanto, o mais recente avan\u00e7o desse processo de digitaliza\u00e7\u00e3o das florestas inclui n\u00e3o apenas drones, aplicativos e plataformas digitais, mas tamb\u00e9m envolve a incorpora\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es historicamente marginalizadas, como os povos origin\u00e1rios do Brasil. Esta comunica\u00e7\u00e3o analisa a entrada dos povos ind\u00edgenas na linha de frente da prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira. Oferece um panorama das iniciativas recentemente criadas para monitorar o desmatamento em Terras Ind\u00edgenas, destacando o contexto de acirramento da press\u00e3o sobre os recursos naturais da floresta ao mesmo tempo em que for\u00e7as autorit\u00e1rias promoveram o desmantelamento das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o ambiental no pa\u00eds. Apresentamos novos agentes \u2014 de organiza\u00e7\u00f5es ambientais e indigenistas a empresas de tecnologia \u2014 que t\u00eam promovido a inclus\u00e3o dos povos ind\u00edgenas na governan\u00e7a florestal, colaborando para a conten\u00e7\u00e3o do desmatamento da Amaz\u00f4nia. Desta multiplicidade sociot\u00e9cnica, em meio a extrativismos e ru\u00ednas, as florestas pol\u00edticas se atualizam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: No atual contexto de crise clim\u00e1tica global e desafios pol\u00edticos para a governan\u00e7a internacional do clima, torna-se cada vez mais importante compreender a rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia, expertise e problemas ambientais. 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