{"id":396,"date":"2025-05-21T20:39:31","date_gmt":"2025-05-21T23:39:31","guid":{"rendered":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=396"},"modified":"2025-09-11T10:40:50","modified_gmt":"2025-09-11T13:40:50","slug":"gt14-imagens-e-paisagens-hidricas-no-antropoceno-ecologias-e-epistemologias-em-disputa-na-contemporaneidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=396","title":{"rendered":"GT14 &#8211; Imagens e paisagens h\u00eddricas no Antropoceno: ecologias e epistemologias em disputa na contemporaneidade"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> As \u00e1guas s\u00e3o fundamentais na constitui\u00e7\u00e3o de mundos e participam agentivamente das tens\u00f5es entre os mundos em disputa na contemporaneidade. Em suas m\u00faltiplas formas e configura\u00e7\u00f5es junto a outros n\u00e3o humanos (aqu\u00edferos, rios, lagos, banhados, nascentes, canais de drenagem, chuvas, estu\u00e1rios, manguezais, oceanos, geleiras, nuvens, entre outros), suas pot\u00eancias moldam paisagens, atravessam territ\u00f3rios e organizam modos de vida humanos e n\u00e3o humanos em seus entrela\u00e7amentos coexistenciais. Em tempos de crises ecol\u00f3gicas aceleradas (mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, extin\u00e7\u00f5es em massa, epidemias, desmatamentos criminosos, polui\u00e7\u00e3o dos cursos h\u00eddricos) no Antropoceno, sabemos que as \u00e1guas tamb\u00e9m se tornaram espa\u00e7os de disputa, onde diferentes regimes de conhecimento, tecnologias e pol\u00edticas se encontram e se confrontam pelo dom\u00ednio de territ\u00f3rios, pelo controle dos recursos e pela expropria\u00e7\u00e3o humana e n\u00e3o humana para a conforma\u00e7\u00e3o de paisagens de poder no Capitaloceno. Neste sentido, este Grupo Tem\u00e1tico prop\u00f5e uma abordagem interdisciplinar para pensarmos sobre\/desde\/com as \u00e1guas e suas dimens\u00f5es simb\u00f3lico-pr\u00e1ticas na contemporaneidade. A partir deste panorama, buscamos reunir pesquisas que investiguem as \u00e1guas e suas dimens\u00f5es plurais no mundo atual em termos epistemol\u00f3gicos, pol\u00edticos e est\u00e9ticos, considerando especialmente:<br>&#8211; Rela\u00e7\u00f5es entre \u00e1guas e paisagens no Antropoceno;<br>&#8211; Regimes de visualidade e produ\u00e7\u00e3o de imagens acerca das \u00e1guas em diferentes contextos (mapas, fotografia, desenho, cinema, arte, tecnologias de monitoramento);<br>&#8211; Disputas em torno das \u00e1guas e seus usos em diferentes contextos, envolvendo saberes locais, ind\u00edgenas, tradicionais e cient\u00edficos em conflito ou em di\u00e1logo;<br>Pol\u00edticas p\u00fablicas, infraestruturas h\u00eddricas, modos de governan\u00e7a e pol\u00edticas da \u00e1gua;<br>&#8211; Epistemologias aqu\u00e1ticas: como diferentes ontologias e cosmologias pensam e habitam as \u00e1guas, mediante a pluralidade de formas de intera\u00e7\u00e3o para a conforma\u00e7\u00e3o de mundos;<br>&#8211; Desastres, escassez e contamina\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de paisagens de cat\u00e1strofe\/ruiniformes na contemporaneidade;<br>&#8211; Metodologias de pesquisa sobre\/desde\/com as \u00e1guas que explorem abordagens sens\u00edveis (sensoriais, visuais e etnogr\u00e1ficas) para o entendimento das complexas rela\u00e7\u00f5es humanos\/\u00e1guas numa perspectiva ecol\u00f3gica que contemple outros-que-n\u00e3o humanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadores:<\/strong> Fl\u00e1vio Leonel Abreu da Silveira (UFPA), Pedro Paulo de Miranda Ara\u00fajo Soares (UFAM), Fernando Monteiro Camargo (UNICAMP)<br><strong>Debatedores:<\/strong> Rafael Paiva de Oliveira Diaz (UFPA), Lanna Beatriz Lima Peixoto (Funda\u00e7\u00e3o Avina)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 01<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 214 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Muruadas s\u00e3o boas para pensar: animismo e modos relacionais na pesca.<\/strong> &#8211; Jer\u00f4nimo Amaral de Carvalho&nbsp;(UFES),&nbsp;Jer\u00f4nimo Amaral de Carvalho&nbsp;(UFES)<\/p>\n\n\n\n<p>O presente trabalho tem como objetivo apresentar a pr\u00e1tica de pesca de muruada, predominante na Costa Amaz\u00f4nica, abrangendo os Estados do Par\u00e1 e Maranh\u00e3o. A pesquisa est\u00e1 situada na Reserva Extrativista Marinha de Cururupu, na costa norte do Maranh\u00e3o, na regi\u00e3o conhecida como reentr\u00e2ncias maranhenses. A muruada \u00e9 uma modalidade de pesca que utiliza as for\u00e7as das mar\u00e9s de preamar e baixamar para capturar camar\u00e3o branco (Litopenaeus schmitti) e o piticaia (Xiphopenaeus kroyeri). Ao contr\u00e1rio das pescas de camar\u00e3o realizadas na costa sul, sudeste e parte do nordeste, que empregam o sistema de arrasto, a muruada inverte a forma de captura do camar\u00e3o, utilizando a for\u00e7a da mar\u00e9. Esta pr\u00e1tica n\u00e3o se limita \u00e0 invers\u00e3o da forma de captura, mas vai al\u00e9m, evidenciando de forma extrema as ag\u00eancias compartilhadas entre humanos e n\u00e3o humanos em um mesmo plano, apresentando rela\u00e7\u00f5es sim\u00e9tricas e assim\u00e9tricas entre eles. A hip\u00f3tese da pesquisa coloca a t\u00e9cnica, enquanto artefato, como elemento mediador desses dois planos (humanos\/n\u00e3o humanos), estabelecendo rela\u00e7\u00f5es sim\u00e9tricas\/assim\u00e9tricas por meio dos agenciamentos . Ao situar as muruadas nessa media\u00e7\u00e3o, observou-se que elas est\u00e3o inseridas em um sistema an\u00edmico, sendo uma ontologia presente nas rela\u00e7\u00f5es humanas e n\u00e3o humanas com car\u00e1ter social. Nesse contexto, conforme descrito por Descola (1992, 1996, 2012), o animismo pode apresentar modos de rela\u00e7\u00e3o com a natureza, como troca, preda\u00e7\u00e3o, reciprocidade, produ\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o. Diante disso, questionamos nesta pesquisa quais modos relacionais este artefato se vincula.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Pensar a cidade, circular com a \u00e1gua: trajetos de pesquisa com igarap\u00e9s e infraestruturas hidrossociais em Manaus (AM)<\/strong> &#8211; Pedro Paulo de Miranda Ara\u00fajo Soares&nbsp;(UFAM)<\/p>\n\n\n\n<p>O presente trabalho prop\u00f5e pensar a circula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em Manaus por duas perspectivas que se complementam: de um lado, as rela\u00e7\u00f5es entre cidade e seus cursos d\u2019\u00e1gua, de outro, as \u00e1guas que circulam (ou deixam de circular) pelas infraestruturas de saneamento \u2013 sobretudo as de abastecimento de \u00e1gua e coleta\/tratamento de esgoto. Tais rela\u00e7\u00f5es e circula\u00e7\u00f5es s\u00e3o mediadas pela mem\u00f3ria na cidade, pol\u00edticas p\u00fablicas e mobiliza\u00e7\u00f5es sociais de moradores, ONGs e acad\u00eamicos. Os trajetos da pesquisa s\u00e3o os tr\u00e2nsitos do pesquisador por entre eventos, redes e situa\u00e7\u00f5es sociais distantes no espa\u00e7o e no tempo, resultando em um campo fragmentado e descont\u00ednuo, mas cujos liames s\u00e3o reconstitu\u00eddos pelos movimentos das \u00e1guas, o que reconhecemos como ciclos hidrossociais urbanos, apesar de suas estagna\u00e7\u00f5es, rupturas e transbordamentos. Assim, a \u00e1gua conduz a pesquisa, passando pelas mobiliza\u00e7\u00f5es do F\u00f3rum das \u00c1guas Amazonense, pelas pedaladas etnogr\u00e1ficas ao longo dos igarap\u00e9s, al\u00e9m das hist\u00f3rias e intera\u00e7\u00f5es experimentadas nas margens dos cursos h\u00eddricos da cidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel biografar um rio? Contribui\u00e7\u00f5es da antropologia para escutar e aprender com as \u00e1guas<\/strong> &#8211; Fernando Monteiro Camargo&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>Biografar \u00e9 narrar trajet\u00f3rias, realizar movimentos, tra\u00e7ar percursos e revelar afetos, deslocamentos e tens\u00f5es que atravessam experi\u00eancias e imagin\u00e1rios. Mais do que relatar uma sucess\u00e3o de eventos, a biografia se constr\u00f3i no entrela\u00e7amento de mem\u00f3rias, afetos, sil\u00eancios e express\u00f5es vividas, para que possam ser, tamb\u00e9m, vivenciadas por outras vidas. Nesta comunica\u00e7\u00e3o, proponho um deslocamento: e se lev\u00e1ssemos a s\u00e9rio a possibilidade de biografar vidas mais-que-humanas? Como escutar, aprender e contar com as \u00e1guas de um rio? Com margens mut\u00e1veis, ciclos de estiagem e enchentes, transbordamentos, profundidades, reflexos, transpar\u00eancias e pausas\/sil\u00eancios, os rios carregam mem\u00f3rias materiais e imateriais que desafiam os modos convencionais de narrar e conhecer. Inspirado por contribui\u00e7\u00f5es da antropologia, da ecologia pol\u00edtica e dos estudos multiesp\u00e9cies, proponho uma etnografia que fabula com os rios, seus fluxos e presen\u00e7as, reconhecendo neles agentes de hist\u00f3ria, de cuidado, de conflito e de futuro, abrindo espa\u00e7o para outras formas de escuta, rela\u00e7\u00e3o e narratividade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Tucunduba: paisagens e sociabilidades entre beiras e baixadas<\/strong> &#8211; Vict\u00f3ria Ester Tavares da Costa&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>O Tucunduba \u00e9 um rio (por vezes igarap\u00e9 ou canal) que atravessa v\u00e1rios bairros da capital paraense: Terra Firme, Guam\u00e1, Marco, Canudos. Por ser um rio urbano, em cada um destes bairros ele se integra \u00e0s paisagens, \u00e0s din\u00e2micas cotidianas e \u00e0s sociabilidades intr\u00ednsecas a esses contextos. As cidades amaz\u00f4nicas s\u00e3o caracterizadas por uma complexa intersec\u00e7\u00e3o entre a urbanidade metropolitana e a presen\u00e7a marcante da floresta, em suas diferentes nuances. Nesse cen\u00e1rio, as bacias hidrogr\u00e1ficas urbanas funcionam como ecossistemas din\u00e2micos, que tanto influenciam quanto s\u00e3o influenciadas pelas atividades humanas em seu entorno. Assim, na contemporaneidade, os espa\u00e7os serpenteados pelas \u00e1guas tamb\u00e9m s\u00e3o ambientes de disputas sociopol\u00edticas e abrangem uma gama de quest\u00f5es que impactam n\u00e3o apenas a vida humana, mas tamb\u00e9m a esfera n\u00e3o-humana, evidenciando a interconectividade dos ecossistemas urbanos. Neste \u00ednterim, este artigo visa trazer para o debate as rela\u00e7\u00f5es de baixadas com o Tucunduba, especialmente as produ\u00e7\u00f5es audiovisuais, cria\u00e7\u00f5es narrativas em torno das discuss\u00f5es vigentes a partir de quem habita e transita por estas paisagens h\u00eddricas em tempos de crises ecol\u00f3gicas, clim\u00e1ticas e sociais. Ao examinar essas manifesta\u00e7\u00f5es culturais, o estudo visa aprofundar o entendimento sobre as estrat\u00e9gias de resili\u00eancia e as reivindica\u00e7\u00f5es por justi\u00e7a ambiental e social que se manifestam nas margens do Tucunduba.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>18\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 02<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 214 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>\u00c1guas que dan\u00e7am mundos: ontoepistemologias relacionais e pr\u00e1ticas sens\u00edveis na escuta dos corpos d\u2019\u00e1gua<\/strong> &#8211; Marcela Paschoal Perpetuo&nbsp;(UNICAMP),&nbsp;Fernando Monteiro Camargo&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho apresenta uma pesquisa em desenvolvimento no INCT-ONSEAdapta (Observat\u00f3rio Nacional de Seguran\u00e7a H\u00eddrica e Gest\u00e3o Adaptativa), vinculada \u00e0 Unidade Cient\u00edfica 1 (UC1), que articula ci\u00eancia, arte, comunica\u00e7\u00e3o e cultura em torno da seguran\u00e7a h\u00eddrica. A proposta investiga as \u00e1guas como entidades ontol\u00f3gicas, pol\u00edticas e sens\u00edveis, ativando pr\u00e1ticas relacionais e a escuta dos corpos d\u2019\u00e1gua. Dialoga tamb\u00e9m com a UC2, voltada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao propor aproxima\u00e7\u00f5es entre pedagogias ambientais, saberes locais e epistemologias pluriversas. Entre os experimentos, destaca-se a \u201cMesa de Trabalho das \u00c1guas\u201d, viv\u00eancia transdisciplinar na Unicamp, onde imagens da hidrologia e de cosmologias afro-diasp\u00f3ricas e amer\u00edndias foram entrela\u00e7adas por dan\u00e7as, proje\u00e7\u00f5es e objetos, compondo um dispositivo de infiltra\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica e pol\u00edtica. A experi\u00eancia gerou o webin\u00e1rio \u201c\u00c1guas Ancestrais\u201d, encontro entre saberes hidrol\u00f3gicos, ind\u00edgenas, afro-diasp\u00f3ricos e art\u00edsticos. A pesquisa reconhece que a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica massificada molda n\u00e3o s\u00f3 percep\u00e7\u00f5es, mas a pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o dos eventos extremos. Por isso, aposta em outras formas de comunica\u00e7\u00e3o, mais sens\u00edveis, corporificadas e relacionais. Busca-se produzir conhecimento junto \u00e0s pessoas e suas experi\u00eancias, ativando modos plurais de saber e cuidar. Os resultados apontam para uma ecologia de pr\u00e1ticas que integra afetos, imagens e mem\u00f3rias, contribuindo para uma seguran\u00e7a h\u00eddrica pluriversal, onde as \u00e1guas emergem como presen\u00e7as vivas que habitam corpos, territ\u00f3rios e hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Mergulhando em produ\u00e7\u00f5es sobre um crime-desastre e(m) seus desconfortos<\/strong> &#8211; Eliana Santos Junqueira Creado&nbsp;(UFES)<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mergulhar nas produ\u00e7\u00f5es t\u00e9cnico-cient\u00edficas sobre um crime desastre que afetou um rio de nome Doce, foi poss\u00edvel perceber um tipo de ci\u00eancia do desastre, inclusive com publica\u00e7\u00f5es antecedentes ao pr\u00f3prio evento de rompimento da barragem que se situava em Bento Rodrigues, Minas Gerais, e que era de (ir)responsabilidade das mineradoras Samarco, Vale e BHP. O levantamento e a leitura do material escolhido permitiu verificar o qu\u00e3o marcantes s\u00e3o os emaranhamentos dos v\u00e1rios elementos, sobretudo \u00e1gua e terra, que, por sua vez, trazem em si outros desafios \u00e0 discuss\u00e3o sobre os efeitos desse crime desastre inaugurado em 2015, embora a princ\u00edpio o foco fosse a \u00e1gua. Tais desafios se colocam tamb\u00e9m \u00e0s divis\u00f5es entre \u00e1reas de conhecimento, que se misturam ainda aos desafios pol\u00edticos, sobretudo os colocados pelo novo acordo jur\u00eddico administrativo de fins de 2024 e que previu a extin\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Renova. Tendo a preocupa\u00e7\u00e3o material com os elementos, sobretudo \u00e1gua e terra, como pano de fundo, constatou-se o quanto suas instancia\u00e7\u00f5es trazem diferentes quest\u00f5es ao debate e \u00e0s pesquisas sobre toxicidade. Do ponto de vista das t\u00e9cnicas de pesquisa, realizou-se an\u00e1lise de conte\u00fado de resumos de artigos cient\u00edficos publicados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos de l\u00edngua inglesa, acessados junto ao Scielo e ao Portal de Peri\u00f3dicos da Capes. A pesquisa continua em andamento, e, em suas \u00faltimas instancia\u00e7\u00f5es, tem tentado pensar tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Entre o que o rio lembra e o que o navio leva: reconfigura\u00e7\u00f5es de paisagens e conflitos urbanos ligados a soja nas margens do rio Tapaj\u00f3s<\/strong> &#8211; Karina Cunha Pimenta&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Este estudo investiga as reconfigura\u00e7\u00f5es de paisagens e os conflitos urbanos decorrentes da instala\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o do terminal da Cargill em Santar\u00e9m (PA), tendo o rio Tapaj\u00f3s como elemento central que atravessa as transforma\u00e7\u00f5es sociais, ambientais e territoriais da cidade. Iniciada em 2017 com abordagem etnogr\u00e1fica e metodologia qualitativa, baseia-se em entrevistas, relatos de vida, poemas, can\u00e7\u00f5es e an\u00e1lise documental para compreender como o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio e a infraestrutura portu\u00e1ria impactam as rela\u00e7\u00f5es dos moradores com o rio e suas margens, especialmente a partir do deslocamento de moradores que habitavam a antiga praia da Vera Paz para o atual bairro do Laguinho. Propondo uma leitura interdisciplinar que articula dimens\u00f5es simb\u00f3licas, pol\u00edticas e ambientais, evidenciando como as \u00e1guas participam ativamente da produ\u00e7\u00e3o de mundos urbanos em constante tens\u00e3o. O estudo revela que o desaparecimento da antiga praia da Vera Paz representa uma ruptura sens\u00edvel e hist\u00f3rica, traduzindo a disputa entre o tempo vivido pelos habitantes e o tempo imposto pelas din\u00e2micas extrativistas. As paisagens urbanas s\u00e3o reconfiguradas sob a l\u00f3gica do capital, marcadas por silenciamentos, perdas e resist\u00eancias que mobilizam novas formas de pertencimento e luta. O Tapaj\u00f3s, nessa perspectiva, n\u00e3o \u00e9 apenas cen\u00e1rio, mas agente vivo das disputas por territ\u00f3rio, mem\u00f3ria e direito \u00e0 cidade, sendo fundamental na imagina\u00e7\u00e3o de futuros poss\u00edveis em meio ao Capitaloceno.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Entre mar\u00e9s, a\u00e7aizais e atravessadores: paisagens ribeirinhas e din\u00e2micas h\u00eddricas na Amaz\u00f4nia urbana<\/strong> &#8211; Leandro Hery Assun\u00e7\u00e3o Oliveira&nbsp;(IFCH),&nbsp;Fl\u00e1vio Leonel Abreu da Silveira&nbsp;(Universidade Federal do Par\u00e1)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho analisa os fluxos do a\u00e7a\u00ed entre a Ilha de Urubuoca e o Trapiche de Icoaraci, na Regi\u00e3o Metropolitana de Bel\u00e9m, destacando como as paisagens h\u00eddricas, marcadas por mar\u00e9s, chuvas e sazonalidades, organizam pr\u00e1ticas de trabalho, circula\u00e7\u00e3o e pertencimento. A partir de uma abordagem etnogr\u00e1fica, discute-se como humanos e elementos da natureza se articulam na produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed, revelando din\u00e2micas territoriais e desafios do Antropoceno na Amaz\u00f4nia urbana. Compreender os fluxos socioprodutivos do a\u00e7a\u00ed entre a Ilha de Urubuoca e o Trapiche de Icoaraci, considerando as intera\u00e7\u00f5es entre humanos, n\u00e3o-humanos e elementos da paisagem h\u00eddrica. Analisar como as mar\u00e9s, os ciclos sazonais, as condi\u00e7\u00f5es ambientais e as pr\u00e1ticas ribeirinhas estruturam as din\u00e2micas territoriais e econ\u00f4micas locais. Refletir sobre como essas pr\u00e1ticas revelam modos de vida que articulam saberes tradicionais, circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e apropria\u00e7\u00e3o das paisagens na Amaz\u00f4nia urbana. O estudo mostra que os fluxos do a\u00e7a\u00ed entre a Ilha de Urubuoca e o Trapiche de Icoaraci s\u00e3o moldados pela interdepend\u00eancia entre pr\u00e1ticas ribeirinhas e as din\u00e2micas das paisagens h\u00eddricas, como mar\u00e9s, chuvas e sazonalidades. Essas instabilidades impactam diretamente o trabalho, os saberes e os modos de vida locais, evidenciando que essas paisagens n\u00e3o s\u00e3o apenas espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas territ\u00f3rios de produ\u00e7\u00e3o de saberes, identidades e resist\u00eancias no contexto do Antropoceno<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Rios urbanos, baixadas e desenvolvimento urbano em Bel\u00e9m-Par\u00e1<\/strong> &#8211; Gizele Cristina Carvalho dos Santos&nbsp;(aluna),&nbsp;Sandra Helena Ribeiro Cruz&nbsp;(PUC Valparaiso)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho resulta das a\u00e7\u00f5es realizadas no \u00e2mbito da pesquisa e da extens\u00e3o universit\u00e1ria do Grupo de Pesquisa em Pol\u00edticas Urbanas e Movimentos Sociais na Amaz\u00f4nia e do Programa de Apoio \u00e0 Reforma Urbana que, de forma articulada, buscam sedimentar o processo de ensino profissional no curso de Servi\u00e7o Social da Universidade Federal do Par\u00e1, nos n\u00edveis da gradua\u00e7\u00e3o e da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, sobretudo nas tem\u00e1ticas inerentes \u00e0 quest\u00e3o urbana e ambiental na Amaz\u00f4nia. O resumo prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre as diferentes concep\u00e7\u00f5es e disputas acerca da transforma\u00e7\u00e3o de rios urbanos em canais de drenagem, analisando especificamente o contexto dos programas de desenvolvimento urbano implementados nas bacias hidrogr\u00e1ficas do Una e Tucunduba na cidade de Bel\u00e9m. Para a elabora\u00e7\u00e3o do presente trabalho, se adotou o procedimento do levantamento bibliogr\u00e1fico; analisaram-se os dados do Plano Municipal de Saneamento B\u00e1sico, da Prefeitura Municipal de Bel\u00e9m; e utilizaram-se dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica. O munic\u00edpio de Bel\u00e9m possui 47 bacias hidrogr\u00e1ficas na \u00e1rea continental e insular e possui um hist\u00f3rico de implementa\u00e7\u00e3o de programas de desenvolvimento urbano nas baixadas que t\u00eam como modus operandi: a renova\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica e do conte\u00fado social dos territ\u00f3rios de baixadas; concep\u00e7\u00f5es diferentes e disputas, t\u00e9cnicas e populares, sobre a urbaniza\u00e7\u00e3o dos rios urbanos; a transforma\u00e7\u00e3o de rios urbanos em canais de drenagem concretados; e a mudan\u00e7a da rela\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e os cursos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong><strong>O direito \u00e0 cidade\/terra\/territ\u00f3rio e meio ambiente em contextos amaz\u00f4nicos<\/strong>: regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de interesse social em Castanhal\/Pa<\/strong> &#8211; N\u00e1dia Socorro Fialho Nascimento&nbsp;(UFPA),&nbsp;Mayara Rayssa da Silva Rolim&nbsp;(ESMAC),&nbsp;Julyane Santos da Silva&nbsp;(UFPA),&nbsp;Maria Elvira Rocha de S\u00e1&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho apresenta resultados preliminares de um Projeto de Extens\u00e3o que articula ensino, pesquisa e extens\u00e3o sobre a quest\u00e3o urbana e suas m\u00faltiplas express\u00f5es na realidade regional. O objetivo do Projeto de Extens\u00e3o \u00e9 de fomentar processos organizativos das\/os benefici\u00e1rias\/os da proposta de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria numa \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de Castanhal\/Pa por meio de processos de capacita\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre a quest\u00e3o urbana, agr\u00e1ria e ambiental. A partir das atividades j\u00e1 realizadas foi poss\u00edvel visualizar um conjunto de quest\u00f5es que carecem de aprofundamento junto \u00e0s fam\u00edlias benefici\u00e1rias, como a necessidade de trabalhar a quest\u00e3o ambiental em virtude da \u00e1rea em quest\u00e3o apresentar uma \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Permanente. Esta abrange parte dos lotes indicados para a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e que, por essa raz\u00e3o, est\u00e3o sujeitos a poss\u00edveis alagamentos, o que inviabiliza a finaliza\u00e7\u00e3o do processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Al\u00e9m desta ser uma quest\u00e3o a ser aprofundada, buscando-se alternativas \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o dos lotes das fam\u00edlias envolvidas, o curso d\u2019\u00e1gua em quest\u00e3o encontra-se degradado em fun\u00e7\u00e3o de receber res\u00edduos tanto da \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o, como de \u00e1reas j\u00e1 urbanizadas. Esta realidade, distante do olhar do grande p\u00fablico e das m\u00eddias sociais, se soma a in\u00fameras outras no munic\u00edpio e em toda a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, adensando a degrada\u00e7\u00e3o ambiental que, na grande m\u00eddia em geral, \u00e9 retratada de forma superficial, invisibilizando os processos que se sucedem sob as vistas do poder p\u00fablico em suas esferas municipal, estadual e federal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: As \u00e1guas s\u00e3o fundamentais na constitui\u00e7\u00e3o de mundos e participam agentivamente das tens\u00f5es entre os mundos em disputa na contemporaneidade. Em suas m\u00faltiplas formas e configura\u00e7\u00f5es junto a outros n\u00e3o humanos (aqu\u00edferos, rios, lagos, banhados, nascentes, canais de drenagem, chuvas, estu\u00e1rios, manguezais, oceanos, geleiras, nuvens, entre outros), suas pot\u00eancias moldam paisagens, atravessam territ\u00f3rios e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-396","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=396"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/396\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1161,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/396\/revisions\/1161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}