{"id":395,"date":"2025-05-21T20:37:33","date_gmt":"2025-05-21T23:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=395"},"modified":"2025-09-11T10:40:04","modified_gmt":"2025-09-11T13:40:04","slug":"gt13-fora-do-eixo-ciencia-natureza-e-historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=395","title":{"rendered":"GT13 &#8211; Fora do Eixo: Ci\u00eancia, Natureza e Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> Historicamente, pensamos e explicamos a ci\u00eancia e seu desenvolvimento com um saber que \u00e9 criado e desenvolvido, aos poucos, nos centros pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais, onde h\u00e1 grande adensamentos populacionais e, posteriormente, esse saber passa a ser divulgado e espalhando para os mais remotos lugares do globo terrestre, sendo usualmente pensada e explicada pelo bin\u00f4mio \u201ccentro e periferia\u201d, onde o dito centro \u201ctudo sabe e tudo faz\u201d e a periferia apenas recebe, de forma inerte os conhecimentos cient\u00edficos prontos. Ao pensar no Brasil, em especial na Amaz\u00f4nia que foi desde s\u00e9culo XVI e ainda \u00e9 no s\u00e9culo XXI territ\u00f3rio de interesse cientifico, e insere-se tamb\u00e9m nessa dualidade \u201ccentro e periferia\u201d. Problematizar a ci\u00eancia, suas pr\u00e1ticas cient\u00edficas e o entendimento usual da dita periferia como um espa\u00e7o de recep\u00e7\u00e3o inerte de saberes j\u00e1 prontos, dentro e fora do Brasil, \u00e9 o objetivo do presente simp\u00f3sio. Nesse sentido, o simp\u00f3sio objetiva reunir trabalhos originais e contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3rico metodol\u00f3gicas, conclu\u00eddos ou ainda em execu\u00e7\u00e3o, concernentes ao estudo das rela\u00e7\u00f5es entre \u201cCi\u00eancia, Natureza e Hist\u00f3ria. Assim, iremos congregar pesquisadoras e pesquisadores que desejam debater trabalhos que versem sobre: circula\u00e7\u00e3o de ideias e impressos (estudos cient\u00edficos, livros, peri\u00f3dicos &#8230;.), pr\u00e1ticas de leitura e de divulga\u00e7\u00e3o, as redes de interlocu\u00e7\u00e3o e sociabilidade, os espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o e os modos de atua\u00e7\u00e3o de diversos grupos profissionais segundo marcadores de g\u00eanero, classe e ra\u00e7a que interagiram nos debates sobre a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico, as formas distintas de apreens\u00e3o da natureza, os processos de moderniza\u00e7\u00e3o, tecnologia \u2013 antiqu\u00e1rios, arquitetos, bi\u00f3logos, colecionadores, educadores, engenheiros, escritores, fil\u00f3sofos, f\u00edsicos, ge\u00f3logos, ge\u00f3grafos, historiadores, matem\u00e1ticos, m\u00e9dicos, museus, muse\u00f3logos, naturalistas, paleont\u00f3logos, sanitaristas, urbanistas&#8230; Al\u00e9m de englobar, estudos que versem sobre a hist\u00f3ria ambiental, e portanto, o papel do mundo natural nas narrativas hist\u00f3ricas, institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas formais e informais, que enfoquem carreiras, trajet\u00f3rias e biografias de homens e mulheres de ci\u00eancia, relatos de viagens e mem\u00f3rias cient\u00edficas, imagens e representa\u00e7\u00f5es visuais, as rela\u00e7\u00f5es sociedade natureza e seus usos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadores: <\/strong>Diana Priscila S\u00e1 Alberto (UFPA), Eduardo Henrique Barbosa de Vasconcelos (Universidade Estadual de Goi\u00e1s &#8211; UEG)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>18\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 01<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 213 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>O mercado internacional de aquarismo e as redes de fornecimento na Amaz\u00f4nia paraense: um estudo de caso sobre o Museu Goeldi (1930-1945)<\/strong> &#8211; Diego Rodrigo Guimar\u00e3es Leal&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>O presente estudo situa-se na interface da Hist\u00f3ria das Ci\u00eancias e da Hist\u00f3ria Ambiental e se prop\u00f5e analisar o com\u00e9rcio de peixes ornamentais que ocorreu na Amaz\u00f4nia paraense durante a Era Vargas, com enfoque para o caso do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi. Durante a gest\u00e3o de Carlos Est\u00eav\u00e3o de Oliveira como diretor desta institui\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias fontes de renda foram criadas nesse per\u00edodo, e a venda de peixes vivos foi uma delas. Buscava-se, com isso, garantir a capta\u00e7\u00e3o de recursos financeiros para a manuten\u00e7\u00e3o do horto bot\u00e2nico e do jardim zool\u00f3gico. A cria\u00e7\u00e3o desse tipo de fonte de renda se justificava pelo fato do or\u00e7amento da institui\u00e7\u00e3o ter sofrido dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o com o decl\u00ednio da economia da borracha e a Quebra da Bolsa de Nova York. Esses recursos combinados a outras fontes de renda garantiram a sobreviv\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o em um contexto assinalado por forte instabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica. A quest\u00e3o ambiental despertou a aten\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro no p\u00f3s-1930. Foi elaborado neste per\u00edodo uma ampla legisla\u00e7\u00e3o voltada para regulamentar a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais na qual estiveram presentes diversos cientistas como Alberto Jos\u00e9 Sampaio (1881-1946), Armando Magalh\u00e3es Corr\u00eaa (1889-1944), C\u00e2ndido de Mello Leit\u00e3o (1886-1948) e Frederico Carlos Hoehne (1882-1959). Entre essas medidas, gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Ca\u00e7a e Pesca (decreto n. 23.672, a 02 de janeiro de 1934). A partir da sua cria\u00e7\u00e3o, o Museu Goeldi foi proibido de fazer coletas e exporta\u00e7\u00e3o de peixes ornamentais, o que gerou uma s\u00e9rie de conflitos na burocracia estatal.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>A Ci\u00eancia Inesperada: Cear\u00e1 &#8211; Harvard -Cear\u00e1<\/strong> &#8211; Eduardo Henrique Barbosa de Vasconcelos&nbsp;(Universidade Estadual de Goi\u00e1s &#8211; UEG)<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1853, Joaquim Antonio Alves Ribeiro, um jovem brasileiro, nascido no Cear\u00e1, voltou ao seu pa\u00eds natal com um singelo documento dentro da sua bagagem, isto \u00e9, o diploma de gradua\u00e7\u00e3o em medicina obtido ap\u00f3s concluir a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica na &#8220;Medical School of Harvard&#8221;, posteriormente, identificamos que ele foi o primeiro brasileiro nato a concluir o curso de medicina nessa Universidade. Somente em outubro de 1858, ele retornou para o Cear\u00e1, onde passou a ser remunerado pela prov\u00edncia (er\u00e1rio p\u00fablico), para clinicar as pessoas que n\u00e3o dispunham de condi\u00e7\u00f5es financeiras para pagar os custos de uma consulta m\u00e9dica (popularmente esse cargo ganhou a alcunha de &#8220;m\u00e9dico da pobreza&#8221;). Ficou desenvolvendo suas atividades m\u00e9dicas nesse cargo at\u00e9 mar\u00e7o de 1861, quando foi, finalmente, criada a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Fortaleza e ele foi o primeiro m\u00e9dico dessa institui\u00e7\u00e3o. Com um local apropriado, com um hor\u00e1rio fixo de trabalho e de descanso, Joaquim Antonio Alves Ribeiro passou a ter tempo para se dedicar a outras atividades, como a hist\u00f3ria natural. Ainda em Fortaleza, ele criou e editou o peri\u00f3dico m\u00e9dico-cient\u00edfico, o jornal A Lanc\u00eata, o primeiro peri\u00f3dico m\u00e9dico-cientifico na Prov\u00edncia e um dos primeiros do Brasil, Mesmo com a extensa lista de realiza\u00e7\u00f5es o Dr. Alves Ribeiro e suas atividades cient\u00edficas continuam sendo praticamente desconhecidas dentro e fora do Cear\u00e1. Uma eventual compreens\u00e3o desse sil\u00eancio perpassa a forma que historiadoras e historiadores explicam a Historia da Ci\u00eancia no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Ideias em tr\u00e2nsito: ci\u00eancia e coopera\u00e7\u00e3o intelectual na Liga das Na\u00e7\u00f5es (1919-1939)<\/strong> &#8211; Gabriel Souza Cerqueira&nbsp;(Funda\u00e7\u00e3o CECIERJ)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho analisa a participa\u00e7\u00e3o brasileira nas redes transnacionais de circula\u00e7\u00e3o do conhecimento organizadas em torno da Liga das Na\u00e7\u00f5es (1919-1939). Pretende-se trazer observa\u00e7\u00f5es sobre a relev\u00e2ncia metodol\u00f3gica de abordagens transnacionais como forma de problematizar as no\u00e7\u00f5es tradicionais de centro e periferia na hist\u00f3ria da ci\u00eancia. Essa abordagem permite investigar como intelectuais e m\u00e9dicos brasileiros atuaram como agentes ativos na recep\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e reformula\u00e7\u00e3o de saberes m\u00e9dicos e higienistas, tensionando modelos euroc\u00eantricos com demandas nacionais, rediscutindo o lugar das ideias. Atrav\u00e9s da an\u00e1lise de arquivos hist\u00f3ricos da Liga das Na\u00e7\u00f5es, o estudo defende a oportuna conjuga\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de apropria\u00e7\u00e3o, nos termos dados por Roger Chartier, com o enfoque nas transfer\u00eancias transacionais de conhecimento. Leva-se em considera\u00e7\u00e3o, sobretudo, a diplomacia cient\u00edfica desses intelectuais brasileiros na Organiza\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade da Liga das Na\u00e7\u00f5es, por um lado, e no Escrit\u00f3rio Internacional de Coopera\u00e7\u00e3o Intelectual, por outro. O trabalho busca, assim, demonstrar que a circula\u00e7\u00e3o transnacional de ideias n\u00e3o seguiu um fluxo unidirecional centro-periferia, mas foi marcada por negocia\u00e7\u00f5es e reinven\u00e7\u00f5es locais. Este caso, finalmente, oferece ferramentas te\u00f3rico-metodol\u00f3gicas para repensar a geopol\u00edtica do conhecimento, destacando o papel ativo das chamadas periferias na reconfigura\u00e7\u00e3o dos saberes cient\u00edficos, desnaturalizando hierarquias epistemol\u00f3gicas, mostrando como a hist\u00f3ria transnacional pode revelar din\u00e2micas complexas de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Hist\u00f3ria das ci\u00eancias e g\u00eanero: a participa\u00e7\u00e3o de Em\u00edlia Snethlage no Parque Zoobot\u00e2nico do Museu Paraense (1907-1914)<\/strong> &#8211; Diana Priscila S\u00e1 Alberto&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia na Amaz\u00f4nia do in\u00edcio do s\u00e9culo XX possuiu personagens admir\u00e1veis, entre homens e mulheres que aqui chegaram para trabalhar em uma das institui\u00e7\u00f5es mais importantes do norte do Brasil, o Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi. Entre esses personagens figurou a cientista Em\u00edlia Snethlage (1868-1929), que foi a primeira mulher a ser contratada no servi\u00e7o p\u00fablico federal no Museu Paraense. Dra. Em\u00edlia foi uma das respons\u00e1veis pelo Parque Zoobot\u00e2nico, al\u00e9m de ser auxiliar do setor zoologia. A partir desse preambulo, questiona-se como foi a participa\u00e7\u00e3o dela nesse espa\u00e7o espec\u00edfico no Museu Paraense? Com base nessa quest\u00e3o o objetivo desse trabalho \u00e9 apresentar, por meio de documentos, como Em\u00edlia lidava com a\u00e7\u00f5es desenvolvidas dentro do parque. Os processos metodol\u00f3gicos foram pesquisa bibliogr\u00e1fica sobre hist\u00f3ria das ci\u00eancias, e an\u00e1lise de fontes, como relat\u00f3rios, fotos de per\u00edodo em que ela era uma das respons\u00e1veis por esse espa\u00e7o. Alguns resultados iniciais apontam que os cuidados de Em\u00edlia Snethlage foram importantes aos cuidados dos animais, e de manuten\u00e7\u00e3o. As fontes revelam que Snethlage tinha uma grande preocupa\u00e7\u00e3o em manter o espa\u00e7o. Al\u00e9m de marcar que uma mulher estava a frente de diferentes a\u00e7\u00f5es no Museu Goeldi ainda no come\u00e7o do s\u00e9culo XX, onde muitas mulheres eram invisibilizadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: Historicamente, pensamos e explicamos a ci\u00eancia e seu desenvolvimento com um saber que \u00e9 criado e desenvolvido, aos poucos, nos centros pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais, onde h\u00e1 grande adensamentos populacionais e, posteriormente, esse saber passa a ser divulgado e espalhando para os mais remotos lugares do globo terrestre, sendo usualmente pensada e explicada pelo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-395","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=395"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1160,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/395\/revisions\/1160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}