{"id":389,"date":"2025-05-21T20:08:47","date_gmt":"2025-05-21T23:08:47","guid":{"rendered":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=389"},"modified":"2025-09-11T10:35:11","modified_gmt":"2025-09-11T13:35:11","slug":"gt07-codigo-corpos-e-territorios-colonialismo-digital-e-resistencia-na-america-latina","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=389","title":{"rendered":"GT07 &#8211; C\u00f3digo, corpos e territ\u00f3rios: colonialismo digital e resist\u00eancia na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> A constitui\u00e7\u00e3o da modernidade \u00e9 indissoci\u00e1vel das narrativas cient\u00edficas que defendem a universalidade como princ\u00edpio da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, de onde deriva a concep\u00e7\u00e3o de tecnologia em sua acep\u00e7\u00e3o epist\u00eamica e em sua concretude sociot\u00e9cnica. Como consequ\u00eancia, a incorpora\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ocidental nos corpos e territ\u00f3rios do Sul global tornaram-se um mecanismo sistem\u00e1tico de viol\u00eancia e subalterniza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais, locais, populares e dissidentes. As formas de resist\u00eancia de grupos subalternizados envolvem historicamente m\u00faltiplas estrat\u00e9gias que perpassam tanto a preserva\u00e7\u00e3o de saberes e identidades quanto a apropria\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e de conhecimentos em novos arranjos sociot\u00e9cnicos. Diante de tais balizadores e das atuais transforma\u00e7\u00f5es tecnoprodutivas, este grupo de trabalho se constitui em um espa\u00e7o-tempo para abordar as rela\u00e7\u00f5es entre as tecnologias digitais, incluindo c\u00f3digo, infraestrutura e sua governan\u00e7a, como dispositivos de domina\u00e7\u00e3o corp\u00f3rea, epist\u00eamica e territorial na Am\u00e9rica Latina, bem como as formas de resist\u00eancia em suas m\u00faltiplas configura\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o. As pr\u00e1ticas decoloniais ind\u00edgenas, mantidas h\u00e1 s\u00e9culos no continente, s\u00e3o o exemplo m\u00e1ximo de tal resist\u00eancia, \u00e0 qual se somam a lutas das popula\u00e7\u00f5es negras, mulheres, LGBTQ+, pessoas com defici\u00eancia, sob vulnerabilidade social, entre outras. A despeito das hegemonias tecnoepist\u00eamicas, os estudos cr\u00edticos em Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade (CTS) surgem como possibilidade de reposicionamento das pesquisas acad\u00eamicas de modo comprometido com um futuro pluriversal que respeite as m\u00faltiplas cosmot\u00e9cnicas e o di\u00e1logo sim\u00e9trico com diversos saberes. Em conson\u00e2ncia com tal horizonte, esse GT estabelece entre seus objetivos: Proporcionar um espa\u00e7o de debate e conex\u00f5es com foco nas possibilidades do (re)fazer tecnocient\u00edfico engajado e em di\u00e1logo com a pluriversidade de saberes e tecnologias; Reimaginar c\u00f3digo, infraestrutura e governan\u00e7a das tecnologias digitais, hoje ub\u00edquas na media\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas e n\u00e3o humanas; Socializar experi\u00eancias, pesquisas e a\u00e7\u00f5es que tenham como escopo a desconstru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es digitais hegem\u00f4nicas ou o rearranjo do digital dentro de rela\u00e7\u00f5es sociot\u00e9cnicas contra-hegem\u00f4nicas; Partilhar saberes e experi\u00eancias sobre as singularidades das t\u00e9cnicas latino-americanas na encarna\u00e7\u00e3o do digital, evidenciando as rela\u00e7\u00f5es entre t\u00e9cnica-territ\u00f3rio-corpo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadores:<\/strong> Carolina Batista Israel (UFPR), Fernanda R. Rosa (Virginia Tech), Diego Vicentin (UNICAMP).<br><strong>Debatedor:<\/strong> Leonardo Ribeiro da Cruz (UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17\/09\/2025 &#8211; Sess\u00e3o 01<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 207 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>A Aliena\u00e7\u00e3o Cosmot\u00e9cnica e a Tecnicidade do Espectro Sul: por um ecossistema complementar de comunica\u00e7\u00e3o social digital na Am\u00e9rica Latina<\/strong> &#8211; Thiago Oliveira da Silva Novaes&nbsp;(UFF)<\/p>\n\n\n\n<p>A internet vem se consolidando como tecnologia universal de acesso \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o. Embora o acesso \u00e0 rede se d\u00ea de maneira bastante desigual, especialmente nos pa\u00edses do sul global, os esfor\u00e7os para garantia de direitos fundamentais se voltam, primordialmente, para os temas de educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e, mais recentemente, para regula\u00e7\u00e3o das plataformas. A presente pesquisa tem por objetivo apresentar o conceito de cosmot\u00e9cnica, de Yuk Hui, \u00e0 luz da no\u00e7\u00e3o de tecnicidade, desenvolvida na filosofia da t\u00e9cnica de Gilbert Simondon, argumentando que a primeira se mostra uma vers\u00e3o bastante empobrecida e alienada da segunda: enquanto a cosmot\u00e9cnica re\u00fane aspectos morais e cosmol\u00f3gicos de cada cultura, a tecnicidade deve ser aplicada tanto \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o dos objetos quanto \u00e0 decis\u00e3o \u00e9tica em utiliz\u00e1-los. Assim disposta, a investiga\u00e7\u00e3o se volta ao tema da digitaliza\u00e7\u00e3o dos meios considerando que v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul realizaram reformas de m\u00eddia quando da ascens\u00e3o de governos populares nas \u00faltimas d\u00e9cadas, baseando-se na premissa da complementaridade, dividindo o espectro radioel\u00e9trico em tr\u00eas partes. Finalmente, o intuito \u00e9 contrastar a apropria\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da internet em territ\u00f3rios como a Amaz\u00f4nia, realizada por meio de sat\u00e9lites, que geram a possibilidade de circula\u00e7\u00e3o de \u201cconte\u00fados cosmot\u00e9cnicos\u201d, \u00e0 luz da autonomia que o r\u00e1dio digital possibilitaria para erigir uma tecnicidade n\u00e3o alienada na digitaliza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Dissid\u00eancias tecnol\u00f3gicas e pluralidade epistemol\u00f3gica: outros poss\u00edveis em ensino-pesquisa-extens\u00e3o<\/strong> &#8211; Marta Mour\u00e3o Kanashiro&nbsp;(Universidade Estadual de Campinas)<\/p>\n\n\n\n<p>Esta proposta de apresenta\u00e7\u00e3o oral alinha-se a um dos objetivos do GT 7 C\u00f3digo, corpos e territ\u00f3rios: colonialismo digital e resist\u00eancia na Am\u00e9rica Latina, a saber, o de socializar experi\u00eancias, pesquisas e a\u00e7\u00f5es que tenham como escopo a desconstru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es digitais hegem\u00f4nicas ou o rearranjo do digital dentro de rela\u00e7\u00f5es sociot\u00e9cnicas contra-hegem\u00f4nicas. Neste sentido, a presente proposta caracteriza-se como relato de a\u00e7\u00f5es realizadas na Universidade Estadual de Campinas, em maio de 2025, para a articula\u00e7\u00e3o de pesquisadores, professores, estudantes, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais em especial, de representantes dos movimentos negro, ind\u00edgena e de dissid\u00eancias tecnol\u00f3gicas.<br>O conjunto de a\u00e7\u00f5es nomeado como \u201cArticula\u00e7\u00f5es de epistemologias negras, ind\u00edgenas e tecnologias dissidentes\u201d foi desenhado a partir da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extens\u00e3o e teve como diretrizes fundamentais: 1) a intera\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica, 2) o impacto na forma\u00e7\u00e3o de estudantes, 3) as transforma\u00e7\u00e3o sociais, especialmente a partir da articula\u00e7\u00e3o de movimentos sociais em torno do tema das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (TICs). A perspectiva de abordagem das TICs, parte da cr\u00edtica a um desenvolvimento tecnol\u00f3gico baseado em solu\u00e7\u00f5es universalizantes, que tem como norteadores sua escalabilidade e repetibilidade em detrimento de necessidades, demandas e saberes espec\u00edficos, sejam eles locais, ancestrais ou atravessados por diferentes marcadores sociais da diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>A bifurca\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00f5es sociot\u00e9cnicas: das tecnodistopias de domina\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias do Bem Viver<\/strong> &#8211; Carlos Victor Correa Pontes&nbsp;(UFPA &#8211; Universidade Federal do Par\u00c3\u0192\u00c2\u00a1),&nbsp;Leonardo Ribeiro da Cruz&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>O presente trabalho investiga como a produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de tecnologias digitais, plataformais e origin\u00e1ria do Norte Global, deriva de uma cosmovis\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o que interfere nas rela\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es localizadas no Sul Global, especialmente em comunidades e povos tradicionais. A partir da leitura de Yuk Hui (2021), esta pesquisa discute como a concep\u00e7\u00e3o instrumental da produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica contempor\u00e2nea carrega pressupostos ontol\u00f3gicos e epistemol\u00f3gicos que imp\u00f5em pr\u00e1ticas e costumes aos usu\u00e1rios, com vis\u00f5es de mundo que os distanciam de sua cosmot\u00e9cnica e da resolu\u00e7\u00e3o de problemas locais. Portanto, este estudo pretende abordar uma compreens\u00e3o cr\u00edtica das tecnologias digitais \u2013 em especial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua centralidade, ubiquidade e hegemonia \u2013 e discutir a tecnodiversidade como orienta\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de tecnologias do Bem Viver (Acosta, 2016), a partir da diversidade de cosmovis\u00f5es, de valores culturais e ambientais, que viabilizam a bifurca\u00e7\u00e3o de novos futuros tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Pluralidades cosmol\u00f3gicas na rela\u00e7\u00e3o entre arte e tecnoci\u00eancia<\/strong> &#8211; Maria Cortez Salviano&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>Que cosmologias podem se fazer presentes em um dispositivo tecnol\u00f3gico? Que formas de perceber e vivenciar o mundo a arte faz emergir? Por meio da an\u00e1lise de alguns casos em que a arte contempor\u00e2nea dialoga com os modos de funcionamento de sistemas de Intelig\u00eancia Artificial, este trabalho pretende explorar quest\u00f5es que surgem no movimento de tornar vis\u00edvel o invis\u00edvel &#8211; sejam dados, exist\u00eancias, planos de realidade ou sensa\u00e7\u00f5es. Neste sentido, busca-se evidenciar que as possibilidades de pensamento, percep\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o fortemente marcadas por uma cosmologia espec\u00edfica, assim como explorar o qu\u00e3o parcial pode ser um modo de conhecimento que se apresenta como universal. Ao fazer isso, o objetivo \u00e9 destacar a pluriversidade de rela\u00e7\u00f5es com o mundo, contribuindo para abrir espa\u00e7o para uma gama mais ampla de possibilidades epistemol\u00f3gicas no olhar para a arte e a tecnologia. Para tanto, este trabalho prop\u00f5e analisar cria\u00e7\u00f5es de artistas contempor\u00e2neos latino-americanos que exploram quest\u00f5es relacionadas \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de dados e \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o, reconhecimento e gera\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es. Esta proposta \u00e9 parte de uma pesquisa de doutorado em andamento que combina trabalho emp\u00edrico e investiga\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, inspirada em (mas n\u00e3o se limitando a) quest\u00f5es levantadas por acad\u00eamicos como Gilbert Simondon, Yuk Hui e Matteo Pasquinelli.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>18\/09\/2025<\/strong> <strong>&#8211; Sess\u00e3o 02<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 206 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Express\u00f5es LGBTQIA+ no Ambiente Digital: Conflitos e Articula\u00e7\u00f5es entre Pol\u00edtica, Religi\u00e3o e Sociedade<\/strong> &#8211; Lucas Da Silva Ribeiro&nbsp;(UNITAU)<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa parte de uma observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica que identificou uma rela\u00e7\u00e3o distinta entre pessoas LGBTQIA+ e os discursos religiosos e pol\u00edticos, em contraste com indiv\u00edduos heterossexuais. No Brasil, onde institui\u00e7\u00f5es religiosas exercem grande influ\u00eancia, s\u00e3o frequentes os discursos que limitam as viv\u00eancias dessa popula\u00e7\u00e3o. O estudo tem como objetivo analisar as percep\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios de redes sociais sobre essas viv\u00eancias, a partir da presen\u00e7a de discursos religiosos e pol\u00edticos. Adota-se uma abordagem qualitativa e explorat\u00f3ria, fundamentada na an\u00e1lise cr\u00edtica do discurso, com base em dez mat\u00e9rias digitais publicadas em rede social amplamente utilizada. Foram considerados os conte\u00fados das publica\u00e7\u00f5es e os coment\u00e1rios dos usu\u00e1rios. Os resultados revelam que muitos coment\u00e1rios reproduzem l\u00f3gicas transf\u00f3bicas, bin\u00e1rias, religiosas e supremacistas, com pouca sensibilidade ao sofrimento humano. Por outro lado, observa-se tamb\u00e9m um uso do discurso religioso como ferramenta de acolhimento e defesa da diversidade. Conclui-se que as percep\u00e7\u00f5es sobre as viv\u00eancias LGBTQIA+ nas redes sociais s\u00e3o diversas e contradit\u00f3rias, oscilando entre a intoler\u00e2ncia e o reconhecimento da pluralidade, refletindo as tens\u00f5es ideol\u00f3gicas presentes no espa\u00e7o digital.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Hipervisibilidade de corpos negros: uma an\u00e1lise sobre a efici\u00eancia do uso de reconhecimento facial na seguran\u00e7a p\u00fablica<\/strong> &#8211; Maria Vitoria Pereira de Jesus&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, t\u00eam-se evidenciado uma amplia\u00e7\u00e3o do uso de reconhecimento facial pelas cidades brasileiras, que ressaltam a sua efici\u00eancia na pris\u00e3o de criminosos e foragidos. Este trabalho tem como objetivo apresentar uma an\u00e1lise sobre a efici\u00eancia do uso de Reconhecimento Facial na seguran\u00e7a p\u00fablica, que cada vez mais tem sido adotado para auxiliar nas atividades policiais de busca e apreens\u00e3o de criminosos e foragidos, e fortalecer a seguran\u00e7a em espa\u00e7os p\u00fablicos. Na cidade de S\u00e3o Paulo, o prefeito Ricardo Nunes tem ressaltado o n\u00famero de pris\u00f5es feitas atrav\u00e9s da tecnologia. J\u00e1 no Rio de Janeiro, o governador Claudio Castro tem salientado a sua import\u00e2ncia no combate ao crime. Os sistemas de Reconhecimento Facial s\u00e3o conhecidos por sua agilidade e efici\u00eancia na identifica\u00e7\u00e3o de criminosos e foragidos, podendo assim, auxiliar nas atividades de busca e apreens\u00e3o feitas pela pol\u00edcia. No entanto, no Rio de Janeiro, um levantamento feito pelo CESeC identificou que 90% das pessoas presas a partir do uso de Reconhecimento Facial s\u00e3o negras. Sendo assim, o que se entende pela efici\u00eancia do uso de Reconhecimento Facial na seguran\u00e7a p\u00fablica? Nossas an\u00e1lises revelam que a efici\u00eancia dessa tecnologia n\u00e3o pode ser entendida apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de pessoas presas, pois sendo a maioria negra, uma vigil\u00e2ncia vista como eficiente, na verdade, compreende uma vigil\u00e2ncia racializada, na qual os indiv\u00edduos negros s\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 os mais vigiados, como tamb\u00e9m os mais afetados por resultados cujos vieses corroboram imagin\u00e1rios e preconceitos sobre poss\u00edveis suspeitos e criminosos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Media\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica como um prot\u00f3tipo pol\u00edtico-metodol\u00f3gico: das discrimina\u00e7\u00f5es algor\u00edtmicas \u00e0s possibilidades de resist\u00eancia<\/strong> &#8211; Rafael Gon\u00e7alves&nbsp;(Unicamp)<\/p>\n\n\n\n<p>Como conceber possibilidades de resist\u00eancia envolvendo tecnologias digitais de uma perspectiva centrada na ag\u00eancia algor\u00edtmica? Como extrapolar a caracteriza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o dos algoritmos na sociedade, explicitando suas pot\u00eancias, para al\u00e9m de seus vieses despotencializantes? Este texto busca construir uma no\u00e7\u00e3o anal\u00edtica e pr\u00e1tica, um prot\u00f3tipo metodol\u00f3gico e pol\u00edtico, a partir do qual descrever s\u00f3cio-tecnicamente a a\u00e7\u00e3o dos algoritmos. O seu objetivo \u00e9 prover uma conceitualiza\u00e7\u00e3o que d\u00ea conta tanto dos casos de discrimina\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica, modos de opera\u00e7\u00e3o de algoritmos que refor\u00e7am as assimetrias sociais, quanto das possibilidades de resist\u00eancia, quando algoritmos desafiam a norma estabelecida em sua a\u00e7\u00e3o no mundo. Para isso, apresento a problem\u00e1tica do &#8220;vi\u00e9s&#8221;, mostrando limites dessa abordagem e casos em que o uso dessa categoria n\u00e3o ajuda a explicar assimetrias, como em alguns casos de sexismo e racismo algor\u00edtmicos. Proponho o conceito alternativo &#8220;media\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica&#8221;, argumentando que ele prov\u00ea vantagens do ponto de vista te\u00f3rico e pr\u00e1tico e utilizando-o para descrever alguns casos iniciais de algoritmos operacionalizados para a resist\u00eancia. Ou seja, este trabalho se apoia em casos concretos para derivar preliminarmente a no\u00e7\u00e3o de media\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica, tanto em seu sentido te\u00f3rico, quanto pr\u00e1tico. Nesse sentido, este texto se apresenta como a prototipagem da ideia mesma de media\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica, que pode ser mobilizada para a descri\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia dos algoritmos, bem como problematizada e contestada, a partir de sua efetividade operacional empiricamente constatada.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Corpo e g\u00eanero: a objetifica\u00e7\u00e3o do corpo no espa\u00e7o religioso\/ Social<\/strong> &#8211; Danilo Barbosa Ferreira&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Estudar o corpo dentro de um espa\u00e7o religioso \u00e9 diferente do que estud\u00e1-lo tendo qualquer outro espa\u00e7o social como refer\u00eancia, visto que, nestes ambientes, o corpo est\u00e1 posto e submisso a todas as tradi\u00e7\u00f5es, culturas e c\u00f3digos simb\u00f3licos que aquele lugar lhe imp\u00f5e. Esta obra tem por objetivo analisar a din\u00e2mica social simb\u00f3lica que d\u00e1 subs\u00eddio \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es religiosas dentro do Tambor de Mina, que delimita o corpo feminino dentro de uma casa de santo. Frente \u00e0s m\u00faltiplas vertentes religiosas dentro das tradi\u00e7\u00f5es do culto de Mina, analisamos apenas os costumes da casa do Terreiro de Mina Dois Irm\u00e3os, que historicamente tem apenas sacerdotisas mulheres, mas possui diversas doutrinas que n\u00e3o permitem que a mulher desenvolva algumas atividades dentro da casa. Dentro das tradi\u00e7\u00f5es afro-religiosas, especialmente do Tambor de Mina, o corpo feminino \u00e9 marcado pelo poder, mas tamb\u00e9m pela limita\u00e7\u00e3o para desenvolver algumas demandas religiosas. Para alguns cr\u00edticos, essas coibi\u00e7\u00f5es chegam a ser a &#8220;marca da influ\u00eancia do patriarcado dentro das casas de santo&#8221;; por\u00e9m, esse tipo de leitura social se torna extremamente limitada e at\u00e9 conflitante quando essas pessoas se deparam com um espa\u00e7o religioso onde, historicamente, a lideran\u00e7a feminina \u00e9 predominante em mais de um s\u00e9culo de tradi\u00e7\u00e3o. Sendo assim, diante deste assunto religioso e social, \u00e9 que se fazem necess\u00e1rios estudos que desenvolvam uma an\u00e1lise estrutural da objetifica\u00e7\u00e3o do corpo feminino dentro do espa\u00e7o religioso.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>19\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 03<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>13:30 \u2013 15:30<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 206 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Jaguaribara de ontem e de hoje: uma netnografia sobre apropria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria (digital) em contexto de atingidos por barragens<\/strong> &#8211; Francisco Cavalcante De Sousa&nbsp;(UERJ)<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma sociedade cada vez mais plataformizada, a mem\u00f3ria coletiva, moldada por experi\u00eancias informacionais e tecnol\u00f3gicas contempor\u00e2neas, tornou-se central no debate sobre direitos digitais e culturais. Como preservar arquivos, viv\u00eancias e narrativas sociais em contextos de migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada para plataformas privadas? Como comunidades tradicionais, historicamente marcadas pela resist\u00eancia, podem se apropriar desses meios com autonomia e soberania digital? Este artigo analisa de que modo a comunidade de Jaguaribara (CE), atingida pela constru\u00e7\u00e3o da Barragem do Castanh\u00e3o, tem se apropriado de recursos digitais para a preserva\u00e7\u00e3o de suas mem\u00f3rias e reconstru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos identit\u00e1rios, em meio \u00e0 desterritorializa\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria vivida entre 1985 e 2001. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de desmobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, observam-se, hoje, pr\u00e1ticas de resist\u00eancia simb\u00f3lica e tecnol\u00f3gica por meio de ambientes digitais, como o grupo \u201cJaguaribara de ontem e de hoje\u201d, criado por moradores no Facebook. Este trabalho busca compreender como esse ciberespa\u00e7o tem sido utilizado para recontar hist\u00f3rias, resgatar la\u00e7os sociais e tensionar a l\u00f3gica dominante das plataformas. Para isso, adota-se uma abordagem qualitativa com base na netnografia, por meio de observa\u00e7\u00e3o participante e an\u00e1lise do conte\u00fado publicado no grupo. Considera-se que a presente pesquisa pode contribuir para reflex\u00f5es sobre mem\u00f3ria digital, soberania tecnol\u00f3gica e apropria\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria das redes, tomando Jaguaribara como estudo de caso para pensar resist\u00eancias locais em ambientes globais mediados por plataformas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Plataformas globais, lutas locais: decolonialidade, vozes ind\u00edgenas e ativismo digital no cen\u00e1rio de esports do Brasil<\/strong> &#8211; Tarc\u00edzio Pereira Macedo&nbsp;(UFF)<\/p>\n\n\n\n<p>Esports, termo usado para se referir aos esportes eletr\u00f4nicos, emergiram como um espa\u00e7o crucial para jogadores ind\u00edgenas no Brasil, especialmente a partir do jogo Free Fire, dispon\u00edvel para dispositivos m\u00f3veis. A crescente populariza\u00e7\u00e3o de smartphones permitiu a forma\u00e7\u00e3o de equipes ind\u00edgenas em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds, criando novos espa\u00e7os de resist\u00eancia e visibilidade digital. Este estudo etnogr\u00e1fico explora as pr\u00e1ticas de conhecimento e as abordagens de jogo de jogadores de quatro grupos ind\u00edgenas brasileiros: Apunir\u00e3, Ava-Guarani, Guarani e Xakriab\u00e1. Com base na etnografia multissituada experiencial e na Hist\u00f3ria Oral decolonial, a pesquisa analisa como esses jogadores negociam suas identidades e reivindicam direitos ind\u00edgenas dentro do ecossistema de esports, tradicionalmente orientado para atores n\u00e3o-ind\u00edgenas. Argumenta-se que jogadores ind\u00edgenas utilizam os esports como ferramenta de ativismo digital, desafiando estere\u00f3tipos e denunciando amea\u00e7as pol\u00edticas, como a tese do \u201cmarco temporal\u201d, que sustenta a Lei 14.701\/23. Por meio de plataformas de esports e redes sociais digitais, eles ampliam sua luta por direitos territoriais e justi\u00e7a ambiental, demonstrando que a participa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena na tecnologia n\u00e3o contradiz suas identidades culturais. Em vez disso, a juventude ind\u00edgena est\u00e1 redefinindo ativamente o espa\u00e7o de jogo e dos esports em suas comunidades, usando os jogos como resist\u00eancia decolonial ao apagamento epist\u00eamico, afirmar a presen\u00e7a ind\u00edgena (pol\u00edtica e cultural) nos espa\u00e7os tecnol\u00f3gicos e desafiar as estruturas coloniais que continuam a marginaliz\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Conectividade, Poder e Colonialismo Digital: A expans\u00e3o da Starlink em Territ\u00f3rios da Reforma Agr\u00e1ria<\/strong> &#8211; Kau\u00e3 Arruda Wioppiold&nbsp;(UFSM),&nbsp;Ane Carine Meurer&nbsp;(UFSM)<\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o da conectividade no espa\u00e7o rural est\u00e1 relacionado a novas formas de controle territorial, captura de dados e reconfigura\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas sociais e econ\u00f4micas. Ao considerar que as tecnologias n\u00e3o s\u00e3o neutras, o fen\u00f4meno do colonialismo digital se expande tamb\u00e9m sobre territ\u00f3rios da reforma agr\u00e1ria. Atrav\u00e9s desta problem\u00e1tica, este trabalho possui como objetivo geral analisar a presen\u00e7a crescente da empresa Starlink, provedora de internet via sat\u00e9lite, nesses territ\u00f3rios. Atrav\u00e9s de levantamento de dados, entrevistas semi-estruturadas e observa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas em assentamentos na regi\u00e3o central do Rio Grande do Sul, busca-se compreender de quais formas a conectividade via Starlink tem se expandido, quais pol\u00edticas p\u00fablicas est\u00e3o promovendo esse avan\u00e7o e como os\/as assentadas percebem a chegada dessa infraestrutura tecnol\u00f3gica. Ao problematizar o avan\u00e7o da conectividade sob uma l\u00f3gica tecnocr\u00e1tica, a an\u00e1lise procura entender como determinadas pol\u00edticas p\u00fablicas, especialmente no \u00e2mbito da Educa\u00e7\u00e3o do Campo, v\u00eam contribuindo para uma crescente depend\u00eancia de plataformas privadas, cujos interesses sobre o territ\u00f3rio se mostram, muitas vezes, conflitantes com os defendidos pelos movimentos sociais. Por fim, discutem-se os riscos sociais e pol\u00edticos associados a essas novas formas de poder, alertando para processos de subordina\u00e7\u00e3o que ocorrem sem a devida criticidade e participa\u00e7\u00e3o das comunidades envolvidas, o que torna cada vez mais urgente expandir o debate sobre soberania digital tamb\u00e9m em espa\u00e7os de resist\u00eancia ao capitalismo agr\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: A constitui\u00e7\u00e3o da modernidade \u00e9 indissoci\u00e1vel das narrativas cient\u00edficas que defendem a universalidade como princ\u00edpio da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, de onde deriva a concep\u00e7\u00e3o de tecnologia em sua acep\u00e7\u00e3o epist\u00eamica e em sua concretude sociot\u00e9cnica. Como consequ\u00eancia, a incorpora\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ocidental nos corpos e territ\u00f3rios do Sul global tornaram-se um mecanismo sistem\u00e1tico de viol\u00eancia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-389","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=389"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1153,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/389\/revisions\/1153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}