{"id":388,"date":"2025-05-21T20:07:24","date_gmt":"2025-05-21T23:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=388"},"modified":"2025-09-11T10:34:31","modified_gmt":"2025-09-11T13:34:31","slug":"gt06-cadeias-de-commodities-e-tecnociencia-arranjos-agro-hidro-minerais-e-suas-disputas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=388","title":{"rendered":"GT06 &#8211; Cadeias de commodities e tecnoci\u00eancia: arranjos agro-hidro-minerais e suas disputas"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> Fertilizantes, tratores, laborat\u00f3rios, guias de transporte, green bonds, mercado futuro, varejistas, selos, embalagens, corpos, frutos, folhas, gr\u00e3os, carne e sementes: os arranjos agro-hidro-minerais s\u00e3o emaranhados de atores, pr\u00e1ticas e materialidades que conectam diferentes escalas, temporalidades e formas de conhecimento para produ\u00e7\u00e3o de commodities. Os Estudos Sociais das Ci\u00eancias e das Tecnologias t\u00eam se dedicado a compreender como expertises e tecnologias reconfiguram os circuitos de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o de alimentos e commodities, ao mesmo tempo em que aprofundam tens\u00f5es ambientais, controv\u00e9rsias e novas pr\u00e1ticas de regula\u00e7\u00e3o e contesta\u00e7\u00e3o. Tais reflex\u00f5es assumem maior relev\u00e2ncia frente \u00e0 crise socioecol\u00f3gica associada \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ao aumento da inseguran\u00e7a alimentar e ao surgimento de novos riscos e pat\u00f3genos vinculados aos formatos tecnol\u00f3gicos adotados para a produ\u00e7\u00e3o agroalimentar e hidro-mineral moderna, frequentemente, sob a l\u00f3gica de gest\u00e3o da plantation. Em paralelo, a expertise tecnocient\u00edfica, central nesses processos, tem sido tensionada por diferentes atores e movimentos que prop\u00f5em alternativas ao padr\u00e3o t\u00e9cnico institu\u00eddo. Estas situa\u00e7\u00f5es t\u00eam desencadeado experi\u00eancias de ativismo nos territ\u00f3rios que tensionam a expertise tecnocient\u00edfica e os modelos de explora\u00e7\u00e3o, cultivo e comercializa\u00e7\u00e3o institu\u00eddos, estabelecendo espa\u00e7os pol\u00edticos inovadores em conjunto com contra-tend\u00eancias ao padr\u00e3o t\u00e9cnico homogeneizador. Este GT pretende reunir trabalhos que coloquem em di\u00e1logo as diferentes \u00e1reas das Humanidades (Antropologia, Sociologia, Ci\u00eancia Politica, Geografia, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, dentre outras) que explorem: a) as controv\u00e9rsias em torno de arranjos de agro-hidro-minerais vinculados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de commodities, associados, por exemplo, a riscos ambientais e \u00e0 gera\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de novas tecnologias; b) o debate sobre a expertise e tecnoci\u00eancia e como inova\u00e7\u00f5es t\u00eam atualizado rela\u00e7\u00f5es de poder e formas de explora\u00e7\u00e3o dos recursos em diferentes setores de cadeias de commodities; c) Os processos de territorializa\u00e7\u00e3o e de resist\u00eancia \u00e0s pr\u00e1ticas de forma\u00e7\u00e3o e funcionamento das cadeias de commodities e suas infraestruturas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadoras:<\/strong> \u00c2ngela Camana (PPGAA\/UFPA), Mar\u00edlia Luz David (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Eve Anne B\u00fchler (UFRJ)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17\/09\/2025<\/strong> <strong>&#8211; Sess\u00e3o 01<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 206 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>A Amaz\u00f4nia como fronteira de commodities: reflex\u00f5es sobre a inser\u00e7\u00e3o do Dend\u00ea como combust\u00edvel renov\u00e1vel e a crise clim\u00e1tica global<\/strong> &#8211; Ricardo Thomaz Santos&nbsp;(UFPA),&nbsp;Roberta Cristina de Oliveira Soares&nbsp;(UFPA),&nbsp;N\u00edrvia Ravena&nbsp;(NAEA)<\/p>\n\n\n\n<p>A procura por alternativas ao uso do petr\u00f3leo, a crescente preocupa\u00e7\u00e3o com a polui\u00e7\u00e3o ambiental e a libera\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa, tem evidenciado a relev\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis, destacando-se o biodiesel, o qual tem na soja cerca de 70% da mat\u00e9ria-prima, surgindo o dend\u00ea como uma alternativa, pois precisa de menores \u00e1reas para o cultivo, existindo no bioma amaz\u00f4nico cerca de setenta milh\u00f5es de hectares apto para o seu cultivo. A cultura da palma de \u00f3leo promete aproveitar \u00e1reas desmatadas, tornando-as produtivas com reduzido impacto ambiental, face o cultivo permanente e \u00e0 cobertura perene do solo nas entrelinhas, por leguminosas ou mesmo cultivos intercalares. Assim o presente artigo objetiva apresentar reflex\u00f5es sobre a atua\u00e7\u00e3o do Estado Brasileiro na produ\u00e7\u00e3o de dend\u00ea, por meio do Programa Federal de Produ\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel de \u00d3leo de Palma e do Programa Nacional de Produ\u00e7\u00e3o e Uso de Biodiesel, realizando o debate entre o surgimento de dend\u00ea como solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e status atual da produ\u00e7\u00e3o brasileira, possibilitando discutir e concluir, por meio de an\u00e1lise dos dados oficiais da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecu\u00e1ria, da Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis, dentre outros, se, de fato, o dend\u00ea est\u00e1 auxiliando na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica ou se a sua inser\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo feita por uma l\u00f3gica extrativista tradicional que reproduz as desigualdades estruturais do sistema-mundo, acabando por alimentar a crise ambiental global, face a expans\u00e3o da monocultura e o desmatamento para sua produ\u00e7\u00e3o, agravando as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Neoindustrializa\u00e7\u00e3o e Commodities Emergentes: Enquadramentos da Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica<\/strong> &#8211; Pamela Kenne&nbsp;(PPGS),&nbsp;Kau\u00e3 Arruda Wioppiold&nbsp;(UFSM)<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho analisa a incorpora\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio verde como vetor estrat\u00e9gico da neoindustrializa\u00e7\u00e3o brasileira, destacando suas articula\u00e7\u00f5es com pol\u00edticas de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, financiamento e inser\u00e7\u00e3o internacional. A partir do exame de documentos, planos de desenvolvimento e discursos de dirigentes da ind\u00fastria, busca-se compreender como essa tecnologia \u00e9 institucionalmente enquadrada como solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e econ\u00f4mica, mobilizando investimentos estrangeiros e novos formatos territoriais de produ\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 discutir se tais estrat\u00e9gias configuram uma moderniza\u00e7\u00e3o com mudan\u00e7a estrutural ou, ao contr\u00e1rio, a atualiza\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es hist\u00f3ricos de depend\u00eancia e especializa\u00e7\u00e3o produtiva. O referencial mobiliza contribui\u00e7\u00f5es da ecologia pol\u00edtica, da sociologia das tecnologias e das teorias institucionais, com destaque para abordagens que discutem rela\u00e7\u00f5es desiguais nas transi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas. A metodologia baseia-se na an\u00e1lise documental e de discursos institucionais, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s estruturas de financiamento, dispositivos legais e sentidos atribu\u00eddos \u00e0 sustentabilidade e ao desenvolvimento. Como resultado parcial, identifica-se a emerg\u00eancia de um l\u00e9xico tecnopol\u00edtico que combina descarboniza\u00e7\u00e3o, competitividade e protagonismo externo, mas que tende a deslocar os conflitos territoriais e pol\u00edticos que permeiam as cadeias agro-hidro-minerais. Considera-se, por fim, que o hidrog\u00eanio verde foi mobilizado n\u00e3o apenas como inova\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, mas como linguagem de legitima\u00e7\u00e3o de um novo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o apoiado em formas tradicionais de extra\u00e7\u00e3o e desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Modelagem Conceitual de Uso e Demanda de \u00c1gua em Comunidades de Fundo e Fecho de Pasto: Um Ensaio Baseado em Agentes<\/strong> &#8211; Pedro Bordinh\u00e3o dos Santos Barbosa&nbsp;(UFRJ)<\/p>\n\n\n\n<p>Comunidades de Fundo e Fecho de Pasto habitam o Extremo Oeste da Bahia h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, praticando agricultura e pastoreio extensivo com baixa intensidade tecnol\u00f3gica, dependentes de provis\u00f5es naturais de \u00e1gua, solo e clima. Desde os anos 1980, a fronteira agr\u00edcola regional tem avan\u00e7ado sobre os planaltos tradicionalmente utilizados pelas comunidades, gerando restri\u00e7\u00f5es territoriais que comprometem a reprodu\u00e7\u00e3o da vida material e a produ\u00e7\u00e3o de excedentes. Buscamos identificar os elementos f\u00edsicos e sociais que condicionam o uso e a viabilidade produtiva dos territ\u00f3rios camponeses, por meio de uma abordagem explorat\u00f3ria baseada em modelagem computacional. A modelagem baseada em agentes permite simular intera\u00e7\u00f5es entre sujeitos e ambiente, considerando comportamentos heterog\u00eaneos e press\u00f5es externas, e oferece um instrumental promissor para compreender din\u00e2micas espaciais e demandas h\u00eddricas. A proposta parte da an\u00e1lise da demanda m\u00ednima de \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o em uma comunidade espec\u00edfica, tribut\u00e1ria de um \u00fanico curso d\u2019\u00e1gua, como forma de qualificar par\u00e2metros e padr\u00f5es estruturais a serem considerados em modelos futuros. A abordagem descritiva seguir\u00e1 o protocolo ODD (Overview, Design concepts, and Details), com vistas a construir um modelo conceitual que represente o uso da terra, a press\u00e3o sobre recursos h\u00eddricos e os limites materiais da subsist\u00eancia frente \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o agroindustrial.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>As infraestruturas da mensura\u00e7\u00e3o na cadeia da \u201csoja livre de desmatamento\u201d<\/strong> &#8211; \u00c2ngela Camana&nbsp;(PPGAA\/UFPA),&nbsp;Mar\u00edlia Luz David&nbsp;(Universidade Federal do Rio Grande do Sul)<\/p>\n\n\n\n<p>A cadeia da soja no Brasil vem sofrendo, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, press\u00f5es por parte de mercados internacionais e da sociedade civil. Tais cr\u00edticas e o surgimento de mecanismos de controle de importa\u00e7\u00f5es t\u00eam ensejado a cria\u00e7\u00e3o de novas formas de governan\u00e7a e produtos que incorporam promessas de maior responsabilidade e transpar\u00eancia em cadeias de fornecimento. Entre eles, destacamos a \u201csoja livre de desmatamento\u201d ou \u201cDCF\u201d (Deforestation and Conversion Free) como uma alegada solu\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio sojicultor que reivindica responder aos principais problemas ambientais enfrentados pelo setor no Brasil. A proposta desta apresenta\u00e7\u00e3o oral \u00e9 discutir as experi\u00eancias das principais traders de soja que operam no Brasil e que elaboram solu\u00e7\u00f5es\/produtos \u201clivres de desmatamento\u201d ou \u201crespons\u00e1veis\u201d, evidenciando as regras e modos de avalia\u00e7\u00e3o mobilizados para qualificar a soja, bem como quais problemas ambientais s\u00e3o constitu\u00eddos a partir de tais normas e m\u00e9tricas. Para tanto, mobilizamos a literatura dos ESCT e estudos agroalimentares e tomamos como fontes de an\u00e1lise os protocolos corporativos para qualificar a soja como livre de desmatamento e\/ou respons\u00e1vel, al\u00e9m de documentos complementares. Preliminarmente, consideramos a soja livre de desmatamento como a express\u00e3o de um novo poder tecnopol\u00edtico do agroneg\u00f3cio sojicultor brasileiro que incorpora a l\u00f3gica da plantation na sua forma de traduzir e propor solu\u00e7\u00f5es para quest\u00f5es ambientais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Arranjos e tens\u00f5es na bubalinocultura marajoara<\/strong> &#8211; Laynara Santos Almeida&nbsp;(UFPR),&nbsp;Rodolfo Bezerra de Menezes Lobato da Costa&nbsp;(UFPR),&nbsp;\u00c2ngela Camana&nbsp;(PPGAA\/UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas perspectivas cient\u00edficas indicam que o clima tropical e as plan\u00edcies amaz\u00f4nicas proporcionaram um ambiente favor\u00e1vel \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o dos b\u00fafalos no arquip\u00e9lago do Maraj\u00f3. De rebanhos asselvajados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o comercial de queijo, o estabelecimento deste animal em uma regi\u00e3o de pouca express\u00e3o agropecu\u00e1ria se tornou um novo vetor de investimentos em tecnologias e mercado. O presente trabalho pretende explorar os projetos de \u201cmelhoramento\u201d desenvolvidos que visam, atrav\u00e9s da tecnoci\u00eancia, preencher lacunas da bubalinocultura na regi\u00e3o. Por meio de pesquisas bibliogr\u00e1ficas e incurs\u00f5es em campo realizadas no eixo Bel\u00e9m-Maraj\u00f3 ao longo de 2024 e 2025, identificamos quais projetos, atores e demandas se produzem e se associam. Neste processo, constatamos controv\u00e9rsias entre o pressuposto de um animal adaptado e pouco exigente, e as recentes pesquisas e interven\u00e7\u00f5es que buscam suprir desde as car\u00eancias nutricionais dos pastos naturais \u00e0s limita\u00e7\u00f5es reprodutivas do animal, por meio de biotecnologias como a Insemina\u00e7\u00e3o Artificial em Tempo Fixo (IATF). Esta \u00faltima, que opera pela sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e manejo na reprodu\u00e7\u00e3o dos animais, tem enfrentado \u201cresist\u00eancias\u201d, dos criadores e dos pr\u00f3prios b\u00fafalos, o que aponta para uma tens\u00e3o entre os limites das ag\u00eancias humanas sobre paisagens onde n\u00e3o humanos engendram rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Na trilha do arroz: agroneg\u00f3cio e resist\u00eancias quilombolas no Arquip\u00e9lago do Maraj\u00f3<\/strong> &#8211; Monique Medeiros&nbsp;(UFPA),&nbsp;Gustavo Siqueira da Silva Pereira&nbsp;(Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (IFCH))<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho visa refletir sobre os avan\u00e7os do agroneg\u00f3cio, voltado ao monocultivo de arroz, no Maraj\u00f3 dos Campos (PA), bem como seus desdobramentos nas din\u00e2micas territoriais de comunidades quilombolas. Para tanto, metodologicamente, \u00e9 baseado em pesquisas bibliogr\u00e1ficas e documentais, com \u00eanfase nas normativas e legisla\u00e7\u00f5es sobre direitos quilombolas na esfera estadual, produ\u00e7\u00f5es que expressam o hist\u00f3rico da produ\u00e7\u00e3o da rizicultura em larga escala no territ\u00f3rio, bem como em materiais jornal\u00edsticos e\/ou populares advindos de organiza\u00e7\u00f5es comprometidas com direitos socioambientais no \u00e2mbito regional. Como resultante das pesquisas \u00e9 apresentada a cronologia da chegada dos grandes produtores de arroz no Maraj\u00f3 dos Campos (PA), da expans\u00e3o de suas \u00e1reas e da emerg\u00eancia dos conflitos fundi\u00e1rios e socioambientais, gerados sobretudo pelo uso de agrot\u00f3xicos e desvios de rios. As an\u00e1lises documentais evidenciam que, se por um lado, as normativas e legisla\u00e7\u00f5es refor\u00e7am a prote\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de comunidades tradicionais \u00e0s cadeias produtivas baseadas em uma economia denominada sustent\u00e1vel e socialmente justa, garantindo seu modo de vida, por outro lado, as iniciativas de resist\u00eancia e den\u00fancia quilombolas em face ao avan\u00e7o do monocultivo colocam em destaque uma n\u00e3o concretiza\u00e7\u00e3o de suas metas e necessidade de atuar por meios alternativos ao anteparo jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>18\/09\/2025<\/strong> <strong>&#8211; Sess\u00e3o 02<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 206 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>A ambientaliza\u00e7\u00e3o reversa: t\u00e9cnicas digitais e formalismo na regula\u00e7\u00e3o da fronteira agr\u00edcola no Piau\u00ed<\/strong> &#8211; Eve Anne B\u00fchler&nbsp;(UFRJ)<\/p>\n\n\n\n<p>Essa comunica\u00e7\u00e3o traz uma reflex\u00e3o acerca das fronteiras agr\u00edcolas, do papel atribu\u00eddo a elas por diferentes agentes e da forma com a qual a quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o ganhou centralidade na sua legitima\u00e7\u00e3o, em detrimento de aspectos sociais. Frente a essas evolu\u00e7\u00f5es, o tensionamento das fronteiras agr\u00edcolas tem se dado cada vez mais pelo vi\u00e9s ambiental. Esse vi\u00e9s lidera tamb\u00e9m as iniciativas de regula\u00e7\u00e3o p\u00fablica de espa\u00e7os que s\u00e3o marcados, ao mesmo tempo, por irregularidades e que escapam em grande medida ao controle do Estado. A partir de uma an\u00e1lise sint\u00e9tica da trajet\u00f3ria institucional da regula\u00e7\u00e3o ambiental no Piau\u00ed, interrogamos a forma com a qual o estado se apropriara dessa quest\u00e3o e quais sentidos podemos atribuir aos instrumentos estaduais de gest\u00e3o ambiental na fronteira agr\u00edcola. Observamos, em particular, em que medida a digitaliza\u00e7\u00e3o dos procedimentos sinaliza uma mudan\u00e7a de padr\u00e3o na atua\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em particular na articula\u00e7\u00e3o entre escalas (estadual, federal e municipal) e dentro dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos estaduais. A pesquisa est\u00e1 baseada em entrevistas junto a institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, agentes econ\u00f4micos e movimentos sociais, assim como em an\u00e1lise da regula\u00e7\u00e3o ambiental estadual. Frente \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o de leis, normas, instrumentos e \u00e0 institucionaliza\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o ambiental do estado, constatamos acrescente regulariza\u00e7\u00e3o ambiental da fronteira, sem que isso necessariamente se traduza por uma conten\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o agr\u00edcola ou pela sua legalidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>O verde do metal: um olhar para o desenvolvimento sustent\u00e1vel na ind\u00fastria minero-sider\u00fargica<\/strong> &#8211; Carolina Lara Suzuki de Matos&nbsp;(UFSCAR)<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria minero-metal\u00fargica est\u00e1 fortemente instalada no estado de Minas Gerais, se alimentando de sua ampla disponibilidade de mat\u00e9rias-primas, e seus impactos transp\u00f5em escalas, se fazendo presentes n\u00e3o s\u00f3 nas paisagens e no cotidiano do estado, mas tamb\u00e9m na ordem global, representando 10% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE). Diante disso, essa ind\u00fastria tem sido confrontada com demandas de &#8220;sustentabilidade&#8221; e tem buscado solu\u00e7\u00f5es para lidar com seus impactos ambientais. Em meio a este cen\u00e1rio, foi anunciada a chegada da empresa estadunidense Boston Metal a Minas Gerais, trazendo consigo uma nova tecnologia metal\u00fargica, a \u201cMolten Oxide Electrolysis\u201d (MOE), desenvolvida em laborat\u00f3rio no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Prometida como capaz de extrair metais de alto valor sem a emiss\u00e3o de CO2, a tecnologia foi levada para a cidade de Coronel Xavier Chaves, tendo como diferencial o uso de eletricidade como fonte energ\u00e9tica. Seu processo levanta debates em torno da no\u00e7\u00e3o de \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, associado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de GEE e, ao mesmo tempo, se prop\u00f5e a reconfigurar os rejeitos da minera\u00e7\u00e3o industrial, historicamente marcada por seus impactos socioambientais, como poss\u00edveis \u201cativos\u201d. Tendo isso em vista, esta apresenta\u00e7\u00e3o busca refletir sobre os processos de reinven\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria minero-metal\u00fargica a partir da cria\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o de novas tecnologias que visam a \u201csustentabilidade\u201d em associa\u00e7\u00e3o com universidades e com o estado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>As Controv\u00e9rsias das Agroestrat\u00e9gias da Produ\u00e7\u00e3o de Soja na Regi\u00e3o de Integra\u00e7\u00e3o do Xingu, Estado do Par\u00e1.<\/strong> &#8211; Antonio Eduardo Gomes Monteiro&nbsp;(UFPA),&nbsp;\u00c2ngela Camana&nbsp;(PPGAA\/UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Esta proposta tem como tema o avan\u00e7o e a manuten\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio da soja no estado do Par\u00e1, especialmente na Regi\u00e3o de Integra\u00e7\u00e3o do Xingu. O objetivo principal \u00e9 compreender as novas configura\u00e7\u00f5es territoriais que impulsionam as agroestrat\u00e9gias. A produ\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e suas territorialidades condicionam a identifica\u00e7\u00e3o dos novos eixos de expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, contribuindo para a reflex\u00e3o sobre os processos sociais e ambientais. Para tanto, o trabalho se apoia em tr\u00eas quest\u00f5es centrais: o papel das tecnologias digitais, das infraestruturas e dos atores institucionais. Trata-se de um recorte, ainda em fase inicial, de uma pesquisa mais ampla que se insere no debate sobre agroneg\u00f3cio e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Amaz\u00f4nia. Interessa compreender como se estruturam as estrat\u00e9gias e articula\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio, especialmente aquelas vinculadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de soja. Prop\u00f5e-se, portanto, resgatar as din\u00e2micas de territorializa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, enfatizando o contexto hist\u00f3rico de ocupa\u00e7\u00e3o, marcado por conflitos fundi\u00e1rios, socioambientais e por projetos de desenvolvimento, tanto antigos quanto atuais. De modo preliminar, considera-se que as pol\u00edticas de desenvolvimento e os instrumentos de controle ofertados pelo Estado t\u00eam contribu\u00eddo para a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente favor\u00e1vel ao agroneg\u00f3cio, cabendo analisar os desdobramentos dessas novas din\u00e2micas territoriais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Gera\u00e7\u00e3o de energia Hidrel\u00e9trica na Amaz\u00f4nia e crise clim\u00e1tica global: uma abordagem hist\u00f3rico geopol\u00edtica<\/strong> &#8211; Roberta Cristina de Oliveira Soares&nbsp;(UFPA),&nbsp;Ricardo Thomaz Santos&nbsp;(UFPA),&nbsp;Sarah Brasil de Ara\u00fajo de Miranda&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>As usinas hidrel\u00e9tricas comp\u00f5em uma das maiores e mais importantes fontes de energia el\u00e9trica do Brasil. As barragens hidrel\u00e9tricas foram constru\u00eddas como parte de um grande projeto desenvolvimentista iniciado no regime militar no pa\u00eds. A Amaz\u00f4nia ocupa uma papel central na geopol\u00edtica ambiental\/energ\u00e9tica local e global. A constru\u00e7\u00e3o de usinas hidrel\u00e9tricas na regi\u00e3o \u00e9 frequentemente justificada como energia de baixa emiss\u00e3o de carbono, mas seus impactos ambientais como a diminui\u00e7\u00e3o da biodiversidade, e impactos sociais como deslocamento compuls\u00f3rio desafiam essa narrativa. Esse artigo analisa como a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica por meio da Usina Hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed se insere em processos hist\u00f3ricos mais amplos de transforma\u00e7\u00e3o material do sistema-mundo e como essa din\u00e2mica afeta a resiliencia ecossist\u00eamica da floresta, pois o bioma amaz\u00f4nico \u00e9 sempre reinscrito em cadeias hidro-minerais de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e consumo energ\u00e9tico. O caso da hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed \u00e9, assim, interpretado como parte de um arranjo infraestrutural que opera simultaneamente como promessa de progresso e como vetor de conflitos socioambientais intensificados pela atual conjuntura clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o do Capital na Amaz\u00f4nia: Consequ\u00eancias Ambientais e Sociais da Constru\u00e7\u00e3o do Porto da Cargill na Ilha do Capim, Abaetetuba-PA<\/strong> &#8211; Sarah Brasil de Ara\u00fajo de Miranda&nbsp;(UFPA),&nbsp;Roberta Cristina de Oliveira Soares&nbsp;(UFPA),&nbsp;N\u00edrvia Ravena&nbsp;(NAEA)<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo investiga os impactos territoriais e ambientais da constru\u00e7\u00e3o do porto da<br>Cargil na Ilha do Capim, em Abaetetuba-PA, no contexto da interven\u00e7\u00e3o do capital<br>nacional e internacional na Amaz\u00f4nia. O tema central aborda como esses projetos<br>afetam comunidades tradicionais, quilombolas e ribeirinhas, que veem a terra como<br>parte de suas atividades cotidianas, e n\u00e3o apenas como uma mercadoria. A relev\u00e2ncia da<br>pesquisa est\u00e1 em destacar as desigualdades de poder existentes entre as popula\u00e7\u00f5es<br>locais e os interesses econ\u00f4micos hegem\u00f4nicos. O objetivo consistiu em analisar esses<br>impactos \u00e0 luz de uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica da literatura, que identificou lacunas e<br>consensos sobre o tema. A metodologia adotada envolveu a sele\u00e7\u00e3o de estudos recentes<br>(\u00faltimos cinco anos) em bancos de dados acad\u00eamicos, considerando crit\u00e9rios como data<br>e relev\u00e2ncia dos trabalhos. Os resultados apontam para transforma\u00e7\u00f5es significativas na<br>din\u00e2mica territorial e ambiental de Abaetetuba, ampliando as desigualdades sociais e<br>econ\u00f4micas na regi\u00e3o. A conclus\u00e3o enfatiza a necessidade de fortalecer organiza\u00e7\u00f5es<br>sociais locais como forma de resist\u00eancia e luta por direitos, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de<br>uma consci\u00eancia coletiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es ambientais e sociais na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Entre crise e oportunidade: imagin\u00e1rios sociot\u00e9cnicos do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Hidrog\u00eanio Verde no Rio Grande do Sul p\u00f3s-desastre de 2024<\/strong> &#8211; Paula Mariani de Andrade&nbsp;(UFRGS),&nbsp;Mar\u00edlia Luz David&nbsp;(Universidade Federal do Rio Grande do Sul)<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho discute como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o mobilizadas pelo Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Hidrog\u00eanio Verde para construir vis\u00f5es de futuro considerados desej\u00e1veis. A pesquisa se situa nos Estudos Sociais das Ci\u00eancias e das Tecnologias e opera o conceito de imagin\u00e1rios sociot\u00e9cnicos para analisar esses projetos, que s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es privilegiadas para acessar quais perspectivas de futuro est\u00e3o sendo discutidas. Embora o programa tenha sido apresentado como uma estrat\u00e9gia de resili\u00eancia clim\u00e1tica, especialmente ap\u00f3s sua incorpora\u00e7\u00e3o ao Plano Rio Grande, elaborado no contexto de reconstru\u00e7\u00e3o do estado ap\u00f3s o desastre clim\u00e1tico de 2024, observa-se que, nos materiais institucionais, a centralidade \u00e9 dada ao desenvolvimento econ\u00f4mico e \u00e0 atra\u00e7\u00e3o de investimentos, enquanto as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ocupam posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria como justificativa. O trabalho de campo inclui an\u00e1lise de documentos, falas p\u00fablicas institucionais, observa\u00e7\u00e3o participante em eventos, materiais de divulga\u00e7\u00e3o oficiais e entrevistas semiestruturadas com atores da rede. Conclus\u00f5es preliminares ressaltam uma diversidade de opini\u00f5es de diferentes atores sobre o andamento do programa como este est\u00e1 estruturado, em posi\u00e7\u00f5es de otimismo, desconfian\u00e7a e apreens\u00e3o, que se baseiam em qual leitura o ator faz do contexto e que fatores ele usa para a esta avalia\u00e7\u00e3o, como a emiss\u00e3o de Gases de Efeito Estufa, poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es dos produtos gerados pela cadeia, desenvolvimento de tecnologias, democratiza\u00e7\u00e3o do processo de tomada de decis\u00e3o, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>19\/09\/2025<\/strong> <strong>&#8211; Sess\u00e3o 03<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>13:30 \u2013 15:30<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; sala 206 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Ativismo alimentar nos territ\u00f3rios: a centralidade de ra\u00e7a, g\u00eanero e classe nas reivindica\u00e7\u00f5es de coletivos perif\u00e9ricos<\/strong> &#8211; Vit\u00f3ria Giovana Duarte&nbsp;(UFRGS)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho investiga o ativismo alimentar de coletivos em Porto Alegre (RS), analisando como seus arranjos se constituem e articulam quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe na alimenta\u00e7\u00e3o. Foram acompanhados tr\u00eas casos-exemplares: Crioula | Curadoria Alimentar, Amada Massa: Clube de P\u00e3es e Cozinha Solid\u00e1ria da Azenha (CSA). Os objetivos inclu\u00edram: (1) mapear a constitui\u00e7\u00e3o dos arranjos; (2) analisar como problematizam o consumo e o acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada; e (3) investigar as performances de ativismo alimentar, observando como integram quest\u00f5es sociais e constroem di\u00e1logos com Estado e mercado. O trabalho de campo ocorreu entre maio de 2023 e julho de 2024, com an\u00e1lise documental, entrevistas e observa\u00e7\u00e3o participante. A an\u00e1lise dos dados foi realizada com aux\u00edlio do software NVivo. A fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica se baseia nos Estudos Sociais da Ci\u00eancia e Tecnologia (ESCT) e em pesquisas sobre ativismo alimentar no Brasil. Os resultados demonstram que os coletivos estruturam suas pr\u00e1ticas alimentares com foco nas din\u00e2micas de estratifica\u00e7\u00e3o social, relacionando alimenta\u00e7\u00e3o a temas como mobilidade urbana, moradia, antirracismo e cuidado. Mesmo diante de vulnerabilidades, demonstram criatividade e efic\u00e1cia na resposta a crises sanit\u00e1rias, clim\u00e1ticas e de inseguran\u00e7a alimentar. Prop\u00f5e-se chamar suas a\u00e7\u00f5es de ativismo alimentar perif\u00e9rico, destacando seu protagonismo e a composi\u00e7\u00e3o singular dos seus arranjos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Sustentabilidade em Disputa: O Papel dos Agroinfluenciadores na Media\u00e7\u00e3o entre Ci\u00eancia e Agroneg\u00f3cio<\/strong> &#8211; Estela Vit\u00f3rio Pires&nbsp;(UFRGS),&nbsp;Mar\u00edlia Luz David&nbsp;(Universidade Federal do Rio Grande do Sul)<\/p>\n\n\n\n<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro tem se tornado um dos principais focos das disputas discursivas sobre sustentabilidade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e n\u00e3o \u00e9 diferente nas redes sociais digitais. Nesse contexto, destaca-se a atua\u00e7\u00e3o de influenciadores digitais do setor rural, agroinfluenciadores, que utilizam argumentos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos para defender pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e pecu\u00e1rias, muitas vezes controversas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es ambientais. Esta proposta tem como objetivo investigar como os agroinfluenciadores constroem discursos de legitimidade ambiental a partir do uso de saberes t\u00e9cnicos e cient\u00edficos. Inserido no campo dos Estudos Sociais das Ci\u00eancias e Tecnologias e da Sociologia Ambiental, o estudo busca compreender os mecanismos e estrat\u00e9gias de circula\u00e7\u00e3o desses discursos, com foco na articula\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia, tecnologia, emo\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica. A metodologia adotada consistiu na sele\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de cinco perfis de influenciadores brasileiros com forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica na \u00e1rea agron\u00f4mica, atuantes no Instagram e com postagens sobre sustentabilidade de diferentes formas. Foram analisados conte\u00fados publicados no feed entre junho de 2024 e junho de 2025 e nos destaques. Os resultados parciais indicam que esses influenciadores constroem uma narrativa que associa o agroneg\u00f3cio ao progresso tecnol\u00f3gico e \u00e0 responsabilidade ambiental, ao mesmo tempo em que suavizam ou ocultam aspectos pol\u00eamicos do setor. A pesquisa contribui para a compreens\u00e3o de como os discursos sobre sustentabilidade s\u00e3o moldados e disseminados no ambiente digital agropecu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Entre o campo e o clima: o posicionamento de associa\u00e7\u00f5es da sojicultura brasileira frente \u00e0 agenda ambiental internacional<\/strong> &#8211; Alessandra Waschburger&nbsp;(UFRGS)<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da expressiva contribui\u00e7\u00e3o da agropecu\u00e1ria nas emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa no Brasil, este trabalho analisa como algumas das principais associa\u00e7\u00f5es representativas do agroneg\u00f3cio sojicultor brasileiro se posicionam frente aos acordos clim\u00e1ticos e legisla\u00e7\u00f5es ambientais internacionais. Para tanto, foram examinados documentos preparat\u00f3rios para as Confer\u00eancias das Partes e not\u00edcias dispon\u00edveis nos sites da Abag (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio), Aprosoja (Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho), CNA (Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil) e SRB (Sociedade Rural Brasileira). Os resultados indicam a tentativa de legitimar o setor como aliado no enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com base em uma concep\u00e7\u00e3o de sustentabilidade centrada em m\u00e9tricas de carbono, em detrimento de outros aspectos como direitos territoriais e produ\u00e7\u00e3o de alimentos livres de agrot\u00f3xicos. Observa-se ainda a mobiliza\u00e7\u00e3o do discurso de seguran\u00e7a alimentar como estrat\u00e9gia de defesa institucional e refor\u00e7o do papel agroexportador do pa\u00eds. Por fim, destaca-se a convers\u00e3o da crise clim\u00e1tica em oportunidade econ\u00f4mica, especialmente atrav\u00e9s do mercado de cr\u00e9ditos de carbono. Tais achados evidenciam a apropria\u00e7\u00e3o da agenda ambiental como instrumento de legitima\u00e7\u00e3o dos interesses do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Normas socioambientais: uma an\u00e1lise de como organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais traduzem \u2018mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u2019 e \u2018desmatamento&#8217;<\/strong> &#8211; Marina Panziera Alves&nbsp;(UFRGS)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho analisa as normas de duas organiza\u00e7\u00f5es internacionais \u2014 o Global Reporting Initiative (GRI) e o Carbon Disclosure Project (CDP) \u2014 reconhecidas como refer\u00eancias na elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios corporativos ESG (Environmental, Social and Governance). O objetivo central \u00e9 investigar quais dados ambientais s\u00e3o considerados relevantes para a divulga\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e pr\u00e1ticas empresariais relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ao desmatamento, com base na an\u00e1lise das normas estabelecidas por essas organiza\u00e7\u00f5es. Para tanto, o estudo apoia-se na literatura dos Estudos Sociais da Ci\u00eancia e da Tecnologia, bem como da Sociologia Ambiental, e utiliza como fontes anal\u00edticas tanto os guias para a elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios ESG quanto relat\u00f3rios p\u00fablicos ESG de corpora\u00e7\u00f5es do setor do agroneg\u00f3cio que adotam essas normas. O estudo evidencia a complexidade do mercado de normas socioambientais e a pluralidade de abordagens adotadas por organiza\u00e7\u00f5es como GRI e CDP. Apesar de alguns consensos, cada organiza\u00e7\u00e3o traduz os impactos com base em suas vis\u00f5es de mundo. Ambas priorizam as emiss\u00f5es de GEE para tratar mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas divergem quanto ao desmatamento. O CDP tende a alinhar suas normas aos interesses corporativos e financeiros. A pesquisa questiona os limites entre governabilidade, neutralidade e desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Cultivando outros futuros: agroecologia e redes alimentares na Amaz\u00f4nia Paraense<\/strong> &#8211; Lucas Miranda de Sousa&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do avan\u00e7o das cadeias de commodities na Amaz\u00f4nia, marcadas pelo uso intensivo de tecnologias industriais e pelo controle dos circuitos de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, comunidades locais t\u00eam constru\u00eddo alternativas que afirmam outras formas de rela\u00e7\u00e3o com a terra, o trabalho e a alimenta\u00e7\u00e3o. Este trabalho parte de experi\u00eancias em munic\u00edpios como Barcarena e Alenquer (PA), onde agricultores familiares, quilombolas e coletivos urbanos desenvolvem pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas e redes alimentares baseadas na solidariedade, na coopera\u00e7\u00e3o e no cuidado com o territ\u00f3rio. O objetivo \u00e9 compreender como iniciativas como feiras agroecol\u00f3gicas, bancos de sementes, moedas sociais e cozinhas comunit\u00e1rias operam como formas de resist\u00eancia ao modelo dominante, fortalecendo a soberania alimentar e a autonomia das comunidades. Mais do que resist\u00eancia, essas pr\u00e1ticas afirmam modos de vida que valorizam os saberes locais e reinventam as rela\u00e7\u00f5es entre pessoas, natureza e tecnologia. S\u00e3o sinais de que outros futuros s\u00e3o poss\u00edveis, e j\u00e1 est\u00e3o sendo cultivados.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Entre a \u00e1gua que falta e a norma que exige: disputas pela autenticidade do queijo do Maraj\u00f3<\/strong> &#8211; C\u00e9sar Martins de Souza&nbsp;(UFPA),&nbsp;Monique Medeiros&nbsp;(UFPA)<\/p>\n\n\n\n<p>No Arquip\u00e9lago do Maraj\u00f3, Par\u00e1, as dificuldades para os produtores de queijo de b\u00fafalo, conhecido como queijo do Maraj\u00f3, vem aumentando gradativamente, gerando disputas ainda maiores por pr\u00e1ticas e acesso ao leite. Tais dificuldades est\u00e3o relacionadas tanto \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o das normativas sanit\u00e1rias quanto \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do leite de b\u00fafala, relacionadas \u00e0 escassez de \u00e1gua e de alimenta\u00e7\u00e3o adequada para os animais. \u00c0 luz dessa problem\u00e1tica, este trabalho visa analisar os conflitos e embates entre a artesania do Queijo do Maraj\u00f3 \u2014 transmitida geracionalmente pelas fam\u00edlias locais \u2014 e os processos de padroniza\u00e7\u00e3o exigidos pela Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (IG). A investiga\u00e7\u00e3o parte da compreens\u00e3o do queijo como uma tecnologia em disputa, moldada por conhecimentos, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e marcos institucionais, e situada nas intersec\u00e7\u00f5es entre tecnoci\u00eancia, mercado e territorialidade. Para al\u00e9m de pesquisas bibliogr\u00e1ficas, em fevereiro de 2025, foram entrevistados produtores de queijo\/leite, agentes da defesa sanit\u00e1ria, extensionistas rurais e demais representantes de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos no Maraj\u00f3. O estudo revela como o reconhecimento institucional da autenticidade \u2014 mediado por selos certificadores \u2014 gera tens\u00f5es e exclus\u00f5es, transformando o pr\u00f3prio queijo em arena de disputa entre din\u00e2micas locais e l\u00f3gicas normativas globais. Ao evidenciar as m\u00faltiplas camadas desse conflito, o trabalho contribui para o debate sobre os arranjos agroalimentares e os desafios de territorializa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de qualidade no contexto das cadeias de commodities.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Ultraprocessados e um novo regime de prazer: nutriente, ind\u00fastria e cotidiano agenciados pelo paladar<\/strong> &#8211; Vict\u00f3ria de Assis Menezes&nbsp;(UFBA),&nbsp;Felipe Vargas&nbsp;(UFRGS)<\/p>\n\n\n\n<p>Esta pesquisa, em fase inicial insere-se no tema das modifica\u00e7\u00f5es que o neoliberalismo traz \u00e0 rela\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos com a alimenta\u00e7\u00e3o, impondo uma nova cultura alimentar baseada no consumo de alimentos ultraprocessados. Contribui\u00e7\u00f5es da nutri\u00e7\u00e3o, sociologia e antropologia s\u00e3o fundamentais. Foram mapeadas 40 revistas de cada uma destas \u00e1reas afim de recobrir amplo espectro da tem\u00e1tica. Apoiando-se e excedendo o valor do nutriente, o processo industrial e o h\u00e1bito alimentar, pretende-se discutir a ideia de um novo regime de prazer. Se a comida de verdade n\u00e3o chega aos pratos dos brasileiros famintos e vira aus\u00eancia de nutrientes; se existe uma ind\u00fastria que se beneficia disso impondo padr\u00f5es sociais; se o tempo de preparo e consumo do alimento se aceleram e se reduzem \u00e9 porque entram em cena os ultraprocessados: alimentos sint\u00e9ticos, massificados, baratos, de r\u00e1pido preparo, capazes de ressignificar o cotidiano. Contudo, sugere-se algo a mais: \u00e9 porque estes entram em cena de modo atrativo, apelativo ao paladar. Ocorre uma dupla aliena\u00e7\u00e3o: \u00e9 imposto um modelo de produ\u00e7\u00e3o acelerado, mecanizado, reducionista, que desconecta os indiv\u00edduos de valores tradicionais, hist\u00f3ricos e ancestrais associados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, e esta \u00e9 transformada em seu valor sensorial e simb\u00f3lico, apagando e substituindo mem\u00f3rias e identidades afetivas vinculadas ao paladar. Essa dupla aliena\u00e7\u00e3o resulta na constru\u00e7\u00e3o de um novo regime de prazer, moldado pelos interesses do capital, que subordinam at\u00e9 mesmo a experi\u00eancia do sabor \u00e0s din\u00e2micas mercadol\u00f3gicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: Fertilizantes, tratores, laborat\u00f3rios, guias de transporte, green bonds, mercado futuro, varejistas, selos, embalagens, corpos, frutos, folhas, gr\u00e3os, carne e sementes: os arranjos agro-hidro-minerais s\u00e3o emaranhados de atores, pr\u00e1ticas e materialidades que conectam diferentes escalas, temporalidades e formas de conhecimento para produ\u00e7\u00e3o de commodities. 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