{"id":384,"date":"2025-05-21T20:02:09","date_gmt":"2025-05-21T23:02:09","guid":{"rendered":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=384"},"modified":"2025-09-11T10:32:32","modified_gmt":"2025-09-11T13:32:32","slug":"gt03-antropologia-da-ciencia-e-saberes-sociotecnicos-producao-de-conhecimentos-encruzilhadas-epistemicas-e-friccao-de-mundos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/?page_id=384","title":{"rendered":"GT03 &#8211; Antropologia da Ci\u00eancia e Saberes Sociot\u00e9cnicos: produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos, encruzilhadas epist\u00eamicas e fric\u00e7\u00e3o de mundos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> Desde o final da d\u00e9cada de 1970, quando se registraram os primeiros estudos no campo da Antropologia da Ci\u00eancia e da Tecnologia, a \u00e1rea tem experimentado um crescimento significativo. Se no in\u00edcio o campo era marcado pelos Estudos de Laborat\u00f3rio, nos dias atuais, existe uma soma de grande diversidade de temas e abordagens metodol\u00f3gicas. Em linha com o momento atual, este grupo de trabalho acolhe trabalhos amparados em etnografias de centros de pesquisa; em redes tecno-cient\u00edficas; em pesquisas centradas nas materialidades e an\u00e1lises de controv\u00e9rsias sociot\u00e9cnicas; assim como em temas cl\u00e1ssicos do campo. Por\u00e9m, tamb\u00e9m ser\u00e3o objeto de nossa aten\u00e7\u00e3o as reflex\u00f5es sobre as interfaces entre ci\u00eancia e outros regimes de conhecimento. Nosso convite \u00e9 &#8220;ficar com o problema\u201d, contribuindo para as reflex\u00f5es sobre narrativas alternativas e a complexidade das fabula\u00e7\u00f5es especulativas. Desta maneira, acolhemos as leituras sobre as conex\u00f5es entre os estudos CTS, os estudos de g\u00eanero e as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, de forma ampla, al\u00e9m das discuss\u00f5es sobre a ci\u00eancia e o antropoceno. Adicionalmente, nos interessam os debates sobre a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico em contextos ditos perif\u00e9ricos, as investiga\u00e7\u00f5es sobre os saberes ind\u00edgenas e quilombolas, e as etnografias entre coletivos que antagonizam com os cientistas e que s\u00e3o, assim, proponentes de ideias negacionistas e conspirat\u00f3rias. Em suma, o GT abrir\u00e1 espa\u00e7o para trabalhos antropol\u00f3gicos, e antropologicamente orientados, sobre a pr\u00e1tica cient\u00edfica, seus tensionamentos internos e as rela\u00e7\u00f5es com suas fronteiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadores:<\/strong> Rafael Antunes Almeida (Universidade da Integra\u00e7\u00e3o Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), Daniel Alves de Jesus Figueiredo (Universidade Federal de Minas Gerais)<br><strong>Debatedores:<\/strong> Guilherme Jos\u00e9 da Silva e S\u00e1 (Universidade de Bras\u00edlia),Flora Rodrigues Gon\u00e7alves (Fiocruz)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 01<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; Sala 203 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Acervo da vergonha&#8221;: intencionalidades e controv\u00e9rsias<\/strong> &#8211; Lucas dos Santos de Paulo&nbsp;(UNB),&nbsp;Rodrigo Rabello da Silva&nbsp;(UNB)<\/p>\n\n\n\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares (FCP), criada a partir da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, \u00e9 um equipamento relevante na luta por igualdade racial e na conquista de pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o negra e afrodescendente. Durante a gest\u00e3o de S\u00e9rgio Camargo (2019-2022), pol\u00edtico filiado ao Partido Liberal (PL), a institui\u00e7\u00e3o foi convertida em instrumento antag\u00f4nico, propagador de a\u00e7\u00f5es racistas e intolerantes. O chamado \u201cAcervo da Vergonha\u201d, criado na Funda\u00e7\u00e3o para expor obras classificadas por ele como \u201cvergonhosas\u201d e \u201cmarxistas\u201d, exemplifica esse processo. Objetivo: Esta pesquisa investiga, a partir da constitui\u00e7\u00e3o do \u201cAcervo\u201d, as intencionalidades e controv\u00e9rsias envolvidas, considerando o valor simb\u00f3lico do livro e da cole\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica da Funda\u00e7\u00e3o. Metodologia: Para isso, utilizou-se: (i) levantamento bibliogr\u00e1fico, (ii) pesquisa documental, (iii) entrevistas semiestruturadas com funcion\u00e1rios que tiveram contato direto com o \u201cAcervo\u201d e (iv) apoio heur\u00edstico da teoria ator-rede. Resultados: (i) cole\u00e7\u00f5es sobre pr\u00e1xis africanas s\u00e3o fundamentais para a preserva\u00e7\u00e3o da cultura negra e afro-brasileira; (ii) entidades sociais manifestaram-se contrariamente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o; (iii) funcion\u00e1rios o definiram como censura e promo\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Camargo; e (iv) as controv\u00e9rsias envolvem disputas simb\u00f3licas sobre as cole\u00e7\u00f5es que comp\u00f5e o acervo da Funda\u00e7\u00e3o. Considera\u00e7\u00f5es finais: Conclui-se que o \u201cAcervo da Vergonha\u201d representou um ataque \u00e0 hist\u00f3ria da FCP e \u00e0 luta dos movimentos negros no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Das formas de sonhar: reflex\u00f5es sobre exerc\u00edcios de constru\u00e7\u00e3o de mundos em meio \u00e0s pinturas rupestres do Vale do Perua\u00e7u<\/strong> &#8211; Lucas Morais D&#8217;Assump\u00e7\u00e3o Soares&nbsp;(UFMG)<\/p>\n\n\n\n<p>Ao norte de Minas Gerais, j\u00e1 quase na Bahia, o rio Perua\u00e7u, um dos muitos que brotam da margem esquerda do Velho Chico, correu em meio ao calc\u00e1rio por mil\u00eanios, esculpindo um formid\u00e1vel c\u00e2nion chamado de Vale do Perua\u00e7u. Sens\u00edvel a \u00e1gua como \u00e9, o calc\u00e1rio ficou cravejado de lapas e abrigos rupestres com o passar dos anos. Esses abrigos, protegidos por densa mata de galeria &#8211; indiferente \u00e0 caatinga e ao cerrado que rodeiam &#8211; s\u00e3o lugares familiares para uma sorte de seres afetados pelo espet\u00e1culo proporcionado pelo Vale. Nos \u00faltimos anos, venho me aproximando de um dos muitos conjuntos de seres que frequentam as lapas \u2013 as pinturas rupestres, encontradas aos montes em intensos entrela\u00e7amentos nas paredes. Assaz soci\u00e1veis, as pinturas perua\u00e7uanas protagonizam encaixes e desencaixes entre si, s\u00e3o companheiras de longa data \u2013 ao menos 40 anos \u2013 de pesquisadorus do setor de arqueologia da UFMG, no qual demoradas rela\u00e7\u00f5es de campo foram transformadas em t\u00edtulos acad\u00eamicos, al\u00e9m de serem, primeiramente, parte do corpo-territ\u00f3rio xakriab\u00e1, que ensina e cuida de sues filhes compartilhando com elus sua beleza, para que fiquem psedi (bem-feito e bonito em Akw\u00ea). Aqui, pretendo compartilhar algumas reflex\u00f5es sobre as rela\u00e7\u00f5es mantidas entre arque\u00f3logues n\u00e3o-ind\u00edgenas e as pinturas encontradas nas lapas, e pensar em diferen\u00e7as com as rela\u00e7\u00f5es de ensino e aprendizado realizado por conhecedores do povo Xakriab\u00e1 quando investigam os \u201cpresentes dos antigos\u201d que colorem seus corpos e paredes.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Desarquivando n\u00e3o humanos nos arquivos dos experimentos de Gregory Bateson<\/strong> &#8211; Camila Montagner Fama&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA descri\u00e7\u00e3o feita pelo bi\u00f3logo n\u00e3o \u00e9 id\u00eantica ao que ele descreve mesmo se ela apresenta um esp\u00e9cime em um museu\u201d, escreveu o bi\u00f3logo e antrop\u00f3logo Gregory Bateson. Levando em conta que mesmo quando as coisas vivas s\u00e3o elas mesmas usadas para codificar a mensagem ela continua sendo sobre algo ou algu\u00e9m, o presente trabalho prop\u00f5e uma incurs\u00e3o nos arquivos dos chamados Bateson Papers mantidos e disponibilizados na Universidade da Calif\u00f3rnia Santa Cruz. A pesquisa busca respostas para entender como e se \u00e9 poss\u00edvel saber mais sobre os animais e seus ambientes a partir do modo como Bateson os descreveu com suas fotografias, filmes, experimentos, artigos, aulas, anota\u00e7\u00f5es e livros. Ao fazer uma abordagem transdisciplinar que leva em conta trabalhos recentes dos estudos sociais da ci\u00eancia, estudos multiesp\u00e9cies e da filosofia da ci\u00eancia sobre como animais atuam em processos de mundifica\u00e7\u00e3o, o estudo tamb\u00e9m se disp\u00f5e a tratar do modo como os animais que se deixam entrever nesse arquivo estiveram implicados em certas constru\u00e7\u00f5es de mundo.<br>Palavras-chave: estudos multiesp\u00e9cies, Gregory Bateson, estudos sociais da ci\u00eancia, arquivo<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Representar, Participar e Formular: tens\u00f5es entre o desejo e o real<\/strong> &#8211; Fernanda Gomes Rodrigues&nbsp;(Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p>Pretende-se explorar as fronteiras, intersec\u00e7\u00f5es e tens\u00f5es entre a ci\u00eancia e outros regimes de conhecimento, tendo como refer\u00eancia central o relat\u00f3rio da 5\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o-CNCTI, Livro Lil\u00e1s e outros documentos relacionados a 5\u00aa CNCTI. A Confer\u00eancia buscou se constituir como f\u00f3rum de discuss\u00e3o, al\u00e9m de coletar propostas de pol\u00edticas p\u00fablicas para a nova Estrat\u00e9gia Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (ENCTI). O tema escolhido foi &#8220;Para um Brasil Justo, Sustent\u00e1vel e Desenvolvido\u201d. Dialogando com a chamada do 11\u00ba Simp\u00f3sio Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade discutir, a partir da etnografia de documentos, pretende-se debater a possibilidade de produ\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica cient\u00edfica brasileira que se enrede com saberes locais, ind\u00edgenas, tradicionais e populares, revelando encruzilhadas epist\u00eamicas e fric\u00e7\u00f5es entre diferentes mundos de conhecimento. Um olhar mais reflexivo sobre os acordos e impasses que se apresentam no cen\u00e1rio brasileiro contempor\u00e2neo, pode fomentar reflex\u00f5es pertinentes para a antropologia da ci\u00eancia e, podemos imaginar, para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas sens\u00edveis \u00e0 diversidade epist\u00eamica. Imaginar \u00e9 um passo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>18\/09\/2025<\/strong> &#8211; <strong>Sess\u00e3o 02<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hor\u00e1rio:&nbsp;<\/strong>14:00 \u2013 16:00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Local:<\/strong> Mirante do Rio &#8211; Sala 203 (2o andar)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Guerra \u00e0s Drogas, Racismo Institucional e Repara\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica: Etnografia de Saberes Antiproibicionistas em Fric\u00e7\u00e3o com o Estado&#8221;<\/strong> &#8211; Monique Fernanda de Moura Prado&nbsp;(UFJF),&nbsp;Victor Luiz Alves Mour\u00e3o&nbsp;(UFV)<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de &#8220;Guerra \u00e0s Drogas&#8221; no Brasil opera como um dispositivo sociot\u00e9cnico que naturaliza<br>viol\u00eancias estruturantes, articulando racismo, necropol\u00edtica e encarceramento em massa. Partindo de<br>uma abordagem etnogr\u00e1fica multissituada (em coletivos antiproibicionistas, f\u00f3runs de justi\u00e7a transicional e territ\u00f3rios perif\u00e9ricos), este trabalho analisa como ativistas negros e perif\u00e9ricos constroem narrativas alternativas que denunciam o proibicionismo como prolongamento do colonialismo e demandam repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. A pesquisa dialoga com o campo da Antropologia da Ci\u00eancia ao investigar as encruzilhadas epist\u00eamicas entre saberes jur\u00eddico-policiais (que legitimam a criminaliza\u00e7\u00e3o) e saberes insurgentes (como os da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas e da Iniciativa Negra por uma Nova Pol\u00edtica de Drogas), que reinterpretam a maconha como planta de poder, medicina ancestral e s\u00edmbolo de resist\u00eancia. Os dados revelam que a fric\u00e7\u00e3o de mundos se materializa em disputas sobre: 1. Corpos e territ\u00f3rios: O genoc\u00eddio negro (com 99,3% das v\u00edtimas de letalidade policial sendo jovens negros, segundo o Anu\u00e1rio da Viol\u00eancia 2023) e a destrui\u00e7\u00e3o material em favelas durante opera\u00e7\u00f5es policiais; 2. Economias pol\u00edticas: O custo bilion\u00e1rio do encarceramento (R$5,2 bi\/ano em SP e RJ, conforme o projeto &#8220;Drogas: Quanto Custa Proibir?&#8221;) versus propostas de redistribui\u00e7\u00e3o de recursos para sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>A ci\u00eancia can\u00e1bica no Brasil: entre a hegemonia biom\u00e9dica e a invisibilidade de saberes tradicionais<\/strong> &#8211; Leticia Pavanatte Gasparino&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho se prop\u00f5e a analisar como a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre a Cannabis Sativa no Brasil. Por meio de uma abordagem qualitativa e documental, a pesquisa mapeia dados extra\u00eddos do Diret\u00f3rio dos Grupos de Pesquisa, Plataforma Brasil e Plataforma Lattes, buscando identificar as \u00e1reas do conhecimento envolvidas, as tem\u00e1ticas predominantes e as terminologias utilizadas na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica nacional sobre a Cannabis. Os resultados parciais apontam para uma concentra\u00e7\u00e3o de estudos voltados ao canabidiol, com reduzida aten\u00e7\u00e3o a outros canabinoides &#8211; especialmente ao tetrahidrocanabinol &#8211; e escassa problematiza\u00e7\u00e3o sobre os contextos culturais, espirituais e comunit\u00e1rios de uso da planta. A aus\u00eancia de abordagens que considerem os modos de vida, as pr\u00e1ticas de cuidado e as experi\u00eancias terap\u00eauticas alternativas historicamente associadas \u00e0 Cannabis revela um processo de marginaliza\u00e7\u00e3o epist\u00eamica. Esta pesquisa busca, assim, contribuir para o debate sobre a coprodu\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e pol\u00edticas p\u00fablicas em sa\u00fade, como a hip\u00f3tese de Farm\u00e1cia Viva no SUS, evidenciando os efeitos das escolhas normativas e institucionais sobre a delimita\u00e7\u00e3o de objetos leg\u00edtimos de pesquisa. Ao trazer a discuss\u00e3o para o campo das terapias psicod\u00e9licas e das tecnologias em sa\u00fade, o trabalho problematiza as formas como saberes n\u00e3o-hegem\u00f4nicos s\u00e3o sistematicamente exclu\u00eddos das agendas cient\u00edficas, apontando para a necessidade de abordagens mais sim\u00e9tricas na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre subst\u00e2ncias com potencial terap\u00eautico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Racismo ambiental e as disputas simb\u00f3licas, discursivas e pol\u00edticas na Lagoa do Abaet\u00e9 em Salvador, Bahia<\/strong> &#8211; Ana\u00edra L\u00f4bo e Pinheiro&nbsp;(UFBA)<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta da pesquisa \u00e9 analisar a rela\u00e7\u00e3o de comunidades tradicionais, como povos de terreiro, com a Lagoa do Abaet\u00e9, localizada no bairro de Itapu\u00e3 em Salvador, Bahia, observando seu envolvimento na preserva\u00e7\u00e3o local. Isto atrav\u00e9s do mapeamento das comunidades tradicionais; da identifica\u00e7\u00e3o das disputas simb\u00f3licas e discursivas em torno da mem\u00f3ria, ocupa\u00e7\u00e3o e destino da Lagoa; da an\u00e1lise das disputas pol\u00edticas; e da identifica\u00e7\u00e3o dos processos de resist\u00eancia para preserva\u00e7\u00e3o do Abaet\u00e9 frente ao processo de urbaniza\u00e7\u00e3o. Para isso, utilizaremos como metodologia: pesquisa bibliogr\u00e1fica, pesquisa documental e entrevistas para coleta de dados. A pesquisa ainda est\u00e1 em andamento, mas ressalta-se que a Lagoa do Abaet\u00e9 foi ocupada historicamente por lavadeiras, pescadores, povos de religi\u00e3o de matriz africana e outros grupos sociais que, em suas margens, desenvolveram tradi\u00e7\u00f5es e a cultura local. Aliado a essa ocupa\u00e7\u00e3o, intensificou-se o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o territorial, movimento contradit\u00f3rio entre o modo de vida das comunidades tradicionais e o desenvolvimento urbano marcado por conflito, por manipula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e por interesses econ\u00f4micos diversos, principalmente no que diz respeito \u00e0 compreens\u00e3o sobre natureza, meio ambiente e territ\u00f3rio, com impactos diretos no modo de viver na cidade, na express\u00e3o das cren\u00e7as, atrav\u00e9s especialmente das pr\u00e1ticas religiosas e tradi\u00e7\u00f5es vivas, presentes na localidade. A relev\u00e2ncia do tema se confirma pela atualidade do debate ambiental, diante da emerg\u00eancia clim\u00e1tica e suas consequ\u00eancias desiguais em raz\u00e3o do racismo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Cecinep\u00e1 nas encruzilhadas: metodologias figuradas para aterrar mundos em fric\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; Jonathan Fenile de Castro&nbsp;(UNICAMP)<\/p>\n\n\n\n<p>Cecinep\u00e1 \u00e9 uma plataforma-metodologia para a constru\u00e7\u00e3o associativa de conhecimentos, projetada para mediar e aterrar mundos em fric\u00e7\u00e3o diante das crises socioecol\u00f3gicas do presente. O projeto articula a no\u00e7\u00e3o de \u201ctentacularidade\u201d de Donna Haraway com o \u201cPrinc\u00edpio de Falsifica\u00e7\u00e3o de Stengers-Despret\u201d (PFSD), delineado por Latour, para compor uma meta-metodologia de aterramento. O PFSD imp\u00f5e uma demanda rigorosa pela articula\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as ao conhecimento cient\u00edfico, partindo da ideia de um corpo que se constr\u00f3i e se estende conforme se sensibiliza a novos elementos. Este corpo latouriano \u00e9 associado \u00e0 tentacularidade \u2013 a qualidade de estender-se com cuidado para criar conex\u00f5es \u2013 para forjar uma no\u00e7\u00e3o de saber que n\u00e3o separa cogni\u00e7\u00e3o, afeto e rela\u00e7\u00e3o: um saber-sensibilidade-la\u00e7o. Compreendendo a aprendizagem como essa sensibiliza\u00e7\u00e3o m\u00fatua, o projeto desenvolve figura\u00e7\u00f5es narrativas e pr\u00e1ticas afetivas para articular coletivamente estes saberes. O objetivo \u00e9 estimular a sensibilidade entre humanos e n\u00e3o-humanos, de modo a compor um mundo comum aterrado no Chthuluceno.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: Desde o final da d\u00e9cada de 1970, quando se registraram os primeiros estudos no campo da Antropologia da Ci\u00eancia e da Tecnologia, a \u00e1rea tem experimentado um crescimento significativo. Se no in\u00edcio o campo era marcado pelos Estudos de Laborat\u00f3rio, nos dias atuais, existe uma soma de grande diversidade de temas e abordagens metodol\u00f3gicas&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-384","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=384"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/384\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1150,"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/384\/revisions\/1150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/11simposioesocite.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}